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Ações: saiba quais empresas devem se beneficiar com o pré-sal

06 de junho de 2011 às 12:40

A exploração do petróleo da camada do pré-sal deve beneficiar não só as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4), principal produtora do País, mas também as de fornecedoras, transportadoras e administradoras da cadeia de produção de óleo e gás natural. Atualmente, a estatal produz 80 mil barris de petróleo do pré-sal por dia, mas o governo estima que os blocos podem conter entre 50 bilhões e 80 bilhões de barris, ou seja, cinco vezes as atuais reservas comprovadas do País (14 bilhões de barris).

Terão destaque empresas que trabalham com aço, já que a indústria vai demandar o material para construção de plataformas e equipamentos de indústria naval. Se essas empresas tiverem contratos fechados com a Petrobras para fornecimento de suprimentos, a chance de valorização aumenta, apesar de não ser garantida.

Segundo o analista econômico da corretora WinTrade José Góes, a Queiroz Galvão (QGEP3) também deve pegar carona na exploração dos blocos. A companhia é a primeira empresa privada com autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para explorar poços. "A empresa deve começar no segundo semestre a pesquisa de viabilidade de exploração nos blocos em que tem participação, e pode, eventualmente, entrar em sociedade em algum outro bloco ou aumentar sua participação por meio de leilões", afirma.

Uma das apostas do mercado, segundo o economista-chefe da corretora Legan Asset, Fausto Gouveia, são as ações da Confab (ordinária CNFB3 e preferencial CNFB4), que produz tubos de aço soldado, utilizados principalmente em gasodutos. O papel preferencial estava sendo vendido a preço médio de R$ 4,39, após ter valorizado 7,5% em um ano até junho.

Outra aposta de valorização em função do pré-sal é o papel da operadora de logística portuária Wilson, Sons (WSON11), que tinha valorização de 54,7% em um ano até junho. A empresa fornece serviços de rebocagem, agenciamento marítimo e transporte de suprimentos.

O analista da WinTrade cita também a siderúrgica Usiminas (USIM3), que em 2010 implantou uma nova tecnologia de resfriamento acelerado para fabricação de chapas de alta resistência, usadas na infraestrutura portuária e de plataformas de extração. O papel ordinário da companhia acumula valorização de 6,74% em um ano.

A ação da fornecedora de infraestrutura para setor de energia e petróleo Inepar (INEP4) oscilou negativamente 12,47% em um ano em junho. Negociada no mercado ao preço médio de R$ 4,31, ela também é vista como uma indiretamente beneficiada pelo pré-sal, segundo Góes.

Para Gouveia, no entanto, é preciso tomar cuidado com a euforia que o pré-sal vem provocando no mercado. "Muitas empresas se beneficiaram no momento do anúncio do início da descoberta das reservas do pré-sal, como a fornecedora de suplementos Lupatech (LUPA3), mas suas expectativas foram frustradas com a demora para começar produção", afirma.

A ação ordinária da companhia caiu 43,3% em um ano até junho, vendida ao preço médio de R$ 11,52, em grande parte por a empresa ter apresentado problemas de geração de caixa com a grande quantia de investimentos futuros, de acordo com o operador da corretora UM Investimentos Paulo Hegg. Porém, a Lupatech vem se recuperando e tem contratos firmados para fornecer à Petrobras.

Fundos de investimento

Os bancos também oferecem fundos de investimento em ações do setor de energia, como o Ações Energia do Banco do Brasil, que exige aplicação inicial de R$ 200 e cobra uma taxa de administração de 2% do valor investido ao ano.

Para investir via fundos é preciso pagar uma porcentagem referente à taxa de administração da gestora do fundo, além da tributação de 15% retida na fonte pela Receita Federal sobre o ganho de capital obtido no momento do resgate da cota, ao contrário do investimento individual em ações por meio de uma corretora.

Muitos fundos também concentram apenas ações da Petrobras em suas carteiras, buscando rentabilidade que acompanhe as variações dos papéis da estatal, como o Ações Petrobrás do Itaú, que perdeu 20,75% nos últimos 12 meses, e o da Caixa Econômica Federal, Ações Petrobras Pré-Sal, fechado para novas aplicações desde 11 de outubro de 2010. A rentabilidade desse fundo - que tem 80% da carteira em ações da Petrobras - caiu 6,39% em um ano até junho, acompanhando o mau desempenho dos papéis da estatal.

Hegg, da UM Investimentos, não recomenda depender só da Petrobras. "Se a empresa vai mal, o fundo acaba ficando muito dependente. Além disso, ainda existem dúvidas sobre a capacidade de petróleo que conseguirão extrair da camada do pré-sal, devido a uma série de riscos e investimentos da empreitada", diz.

A camada de sal se comporta como um material plástico sob alta pressão e alta temperatura, o que exige o desenvolvimento constante de tecnologias. O primeiro poço perfurado pela Petrobras demorou mais de um ano e custou US$ 240 milhões. Outro desafio é a distância de aproximadamente 230 km do litoral brasileiro. O petróleo pode ser produzido e escoado direto das plataformas para navios e transportados para terra. Já o gás natural só pode ser escoado por dutos. Por navios, o gás somente pode ser transportado depois de liquefeito.

Fonte: Portal Terra

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