ACIDENTE
ANP suspende atividades de perfuração da Chevron no Campo de Frade
Na prática, decisão suspende toda atividade de perfuração da empresa Chevron em todo território nacional
24 de novembro de 2011 às 10:46
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) determinou nesta quarta-feira a suspensão das atividades de perfuração da Chevron no Campo de Frade, no litoral do Rio de Janeiro, até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento de petróleo e restabelecidas as condições de segurança na área. Na prática, a decisão suspende toda atividade de perfuração da Chevron no território nacional. A ANP também rejeitou pedido da empresa para perfurar novo poço no mesmo campo com o objetivo de atingir o pré-sal.
A decisão da ANP foi divulgada na mesma tarde em que a Comissão de Meio Ambiente da Câmara realizava audiência pública com o presidente da Chevron no Brasil, George Buck. Ao iniciar sua apresentação, ele pediu desculpas aos brasileiros. “Entendemos a importância dessa questão e estamos encarando isso com a maior seriedade; mais uma vez, gostaríamos de pedir desculpas ao povo brasileiro”, declarou.
George Buck afirmou que desde o dia 7 de novembro, quando ocorreram as fissuras no fundo do mar que provocaram o vazamento de óleo, o equivalente a 2,4 mil barris de petróleo chegaram à superfície do mar. Segundo ressaltou, o óleo está se deslocando para longe do litoral brasileiro. Ele disse também que, em sobrevoo feito pela empresa na tarde da última terça-feira na região do vazamento, a mancha equivalia a três barris de petróleo. Segundo o presidente da Chevron, o que provocou o início do vazamento foi a perfuração de poço em uma zona em que a pressão era maior que a esperada.
Falha humana
O presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Giovani Cherini (PDT-RS), disse acreditar que falha humana provocou o vazamento. Ele citou a explicação do presidente da Chevron segundo a qual a empresa calculou mal a pressão da área que foi perfurada. “Como uma empresa que explora petróleo há tantos anos não vai saber qual é a pressão que estaria naquela altura do mar? Eles têm que estar preparados para isso”, argumentou.
Segundo Cherini, como as investigações sobre o vazamento, realizadas pelo comitê da crise criado pelo governo, ainda estão em curso, muitas explicações precisam ser fornecidas à sociedade e ao Parlamento. O comitê é composto por representantes do Ibama, da ANP, da Marinha e da Chevron.
O presidente do Ibama, Curt Trennepohl, que também participou da audiência, informou que, até o momento, não foi detectada morte de animal, nem dano ao ambiente aquático, “o que não quer dizer que isto não tenha ocorrido”.
Fonte: Agência Câmara