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Campos maduros: A lógica dos espertalhões para abocanhar uma riqueza do povo

20 de outubro de 2015 às 10:20

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Foto: Arquivo

No mesmo dia (8/10) em que foi lançada a Frente Parlamentar Mista pela Criação da Indústria do Petróleo e Gás no Brasil, o site do jornal O Globo publicou matéria informando que “a Petrobrás planeja vender até 180 dos 359 campos maduros que possui no Brasil”. De acordo com a apuração, os números constariam do “Plano de Desinvestimentos” da companhia e já existiria interesse na aquisição “por parte de um grupo de empresas de médio porte”.

Ainda segundo a matéria de O Globo, “a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás assegura que seus sócios poderão pagar à estatal até R$ 6 bilhões para ficar com esses campos”. E para o presidente desta Associação, Marcelo Magalhães, o valor final da transação “dependeria das condições de financiamento e da garantia de aquisição do petróleo por refinarias da Petrobrás”.

Para pagar os R$ 6 bilhões, Marcelo afirmou ao jornal que poderia ser realizada uma operação comum no exterior: “as produtoras poderiam buscar financiamentos bancários, oferecendo como garantia as próprias reservas dos campos vendidos”. Um verdadeiro “negócio da China”, se considerarmos que esses “investidores” não precisarão desembolsar pela compra, e que ainda terão a garantia de aquisição de seus produtos.

Além disso, os R$ 6 bilhões que a ABPIP afirma que seus sócios estariam dispostos a “pagar” pelos campos maduros podem até aparentar ser uma quantia expressiva, mas não passam de uma ninharia. Considerando os dados apresentados pelo próprio Magalhães, durante a solenidade de lançamento da Frente Parlamentar Mista, a oferta equivale ao valor da produção extraída dos campos maduros em apenas 297 dias.

Lógica privada

Para a Diretoria Colegiada do SINDIPETRO-RN, todas essas informações confirmam a existência de uma articulação de interesses, externos e internos, que visa desmantelar a Petrobrás enquanto empresa integrada de energia, aproveitando-se de uma conjuntura onde a companhia se encontra fragilizada, para privilegiar o atendimento a interesses privados, ávidos pelo lucro fácil e rápido.

Em detrimento do papel estratégico de uma companhia que tem o povo como seu maior acionista, o que vai se concretizando é uma tentativa de imposição de um modelo de empresa segmentada, focada na produção e exportação de óleo cru extraído do pré-sal, sem qualquer preocupação com a promoção e geração de mais empreendimentos e empregos de qualidade nas demais regiões do País.

Neste momento, a categoria petroleira precisa estar ainda mais atenta e mobilizada. O petróleo é o principal passaporte do povo para o futuro e a Petrobrás precisa ser, ainda mais, um instrumento para a conquista de um novo ciclo nacional de desenvolvimento, com soberania, democracia, diminuição das desigualdades regionais, justiça social e valorização do trabalho.

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