Pular para o menu
1366117969
Retração

Carta quer explicações sobre perspectivas da Petrobrás no RN

Documento foi aprovado na maior Audiência Pública da história da Câmara Municipal de Mossoró

16 de abril de 2013 às 10:12

destaque

Foto: Christian Vasconcelos

No âmbito do Poder Executivo, um ministro de Estado, uma governadora e três prefeitos. No do Poder Legislativo, 17 dos 21 vereadores do município-sede; seis deputados estaduais e três deputados federais, incluindo o presidente da Câmara Federal. Nas galerias, vereadores de outras cidades; dirigentes de instituições públicas e privadas, tais como universidades e Federação das Indústrias; dezenas de representações sindicais e populares; e, o mais importante: centenas de cidadãos e cidadãs convencidos de que o Brasil não é só o Pré-sal. Assim começou a maior Audiência Pública da história da Câmara Municipal de Mossoró.

Realizada na última sexta-feira, 12/04, a sessão teve por objetivo debater a retração de investimentos da Petrobrás na região que concentra a maior produção brasileira de petróleo em terra. Por essa razão, o evento foi aberto com uma explanação do gerente da UO-RNCE, seguida de uma intervenção do coordenador geral do SINDIPETRO-RN. Ao final dos trabalhos, expressando a opinião dos presentes, os vereadores aprovaram a “Carta de Mossoró”. Um documento que será entregue à presidente da Petrobrás, Graça Foster, na próxima quinta-feira, 18, por uma comitiva formada por representantes de diversos segmentos políticos, econômicos e sociais, dentre os quais, representantes dos petroleiros e petroleiras potiguares.

Razões – A “Carta de Mossoró” relata as razões que levaram à realização da Audiência Pública, citando o documento “Petrobrás no RN: por mais investimentos com valorização do trabalho”. A peça foi elaborada pelo SINDIPETRO-RN, em conjunto com outras entidades sindicais, e fornece dados sobre a retração da atividade produtiva na região, com consequências negativas para o mundo do trabalho, particularmente, no que diz respeito ao emprego. A decisão de elaborar e encaminhar um documento à presidente da Petrobrás, no entanto, resultou das ponderações feitas, durante a Audiência, não só pelos representantes dos trabalhadores, mas, também, por empresários prestadores de serviços.

Em sua exposição, a Gerência da UO-RNCE demonstrou o esforço da Empresa para manter os atuais níveis de produção, considerando serem óleo e gás provenientes de campos maduros. Porém, com relação aos números do desemprego, o dirigente alegou “descontinuidade nos contratos com empresas de construção e montagem”, lamentando os impactos na vida das famílias dos trabalhadores. A informação não apenas confirmou o papel protagonista da Petrobrás para o advento da crise como ensejou um importante depoimento de um conhecido empresário local. Este, revelou que, após quatro anos de prestação de serviços, a Petrobrás lhe sugeriu uma redução de 30% no valor do contrato.

Explicações – A “Carta de Mossoró” não é um documento que proclama posicionamentos. Em verdade, solicita explicações para uma série de questionamentos que abordam os planos da Petrobrás para o Rio Grande do Norte e para os demais Estados em que há produção em campos terrestres e marítimos considerados maduros, quanto aos investimentos em novos projetos exploratórios e de revitalização. Assim, entre os signatários, ainda que o documento não o afirme, há suspeita de que a atual direção da Companhia encontra-se alinhada com os interesses dos grandes acionistas privados, que buscam lucros maiores, e mais rápidos, concentrando recursos, inclusive técnicos, nas áreas do Pré-sal.

Não por acaso, o grande questionamento formulado durante a Audiência Pública foi: descontinuidade ou desmobilização? O entendimento amplamente majoritário entre os participantes é o de que há sinais evidentes de desmobilização, com acentuada mudança no papel da Companhia enquanto instrumento de fomento ao desenvolvimento econômico nacional e de redução das desigualdades regionais.

Veja, aqui, o conteúdo da “Carta de Mossoró”, e aqui o documento “Petrobrás no RN: por mais investimentos com valorização do trabalho”.

 

Compartilhar: