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Demandas de políticos adiaram plano da Petrobras, diz fonte

21 de junho de 2011 às 10:41

A necessidade de acomodação de pedidos de políticos nos projetos que vão compor o novo plano de investimentos 2011-2015 da Petrobras foi um dos motivos para o novo adiamento na aprovação do plano, na reunião do conselho de administração na última sexta-feira. Segundo uma fonte com acesso aos estudos para definição do plano, há demandas políticas ligadas ao cronograma de projetos da estatal.

Entre os outros fatores que impediram a aprovação estão a questão da incapacidade da cadeia nacional de fornecedores de suprir adequadamente os projetos da estatal e a necessidade de se evitar uma nova emissão de ações para levantar recursos.

"Têm políticos que gostariam de ver mais coisas sendo feitas dentro do período do mandato deles", informou a fonte, sem dar detalhes específicos. "O que tinha sido solicitado (na primeira reunião do conselho sobre o plano) foi entregue e pediram mais. Há algumas premissas que se busca manter: a sustentabilidade da empresa, garantindo o 'investment grade', e a não emissão de mais ações", explicou a fonte, que pediu anonimato.

A diretoria da Petrobras apresentou uma nova versão do plano de negócios 2011-2015 ao conselho de administração na última sexta-feira. A primeira versão previa investimento em torno dos US$ 250 bilhões, mas teve que ser adaptado para se aproximar o máximo possível do plano anterior, de US$ 224 bilhões.

Fontes disseram na semana passada à Reuters que prazos de refinarias seriam adiados para focar os investimentos da estatal em exploração e produção em campos que dessem retorno mais rápido ao caixa da empresa.

Projetos nos Estados

A Petrobras está construindo quatro novas refinarias de grande porte, nos Estados do Rio de Janeiro (Comperj), Maranhão (Premim I), Ceará (Premium II) e Pernambuco (Abreu e Lima). Além das refinarias, a Petrobras tem projetos em andamento em praticamente todos os Estados brasileiros. Somente no novo plano o número de projetos chega a quase 700.

Apesar de a fonte não ter entrado em detalhes sobre o componente político que afeta os planos da empresa, é possível que alterações em cronogramas de projetos, com postergações para reduzir custos imediatos, possam ter provocado reações de políticos com interesse na aplicação desses recursos em suas áreas de atuação.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também presidente do conselho de administração da Petrobras, considerou normal o novo adiamento da aprovação, afirmando nesta segunda-feira que o processo é complexo e necessita de avaliação exaustiva.

Segundo ele, o governo busca adequar o cronograma dos projetos incluídos no pacote de investimentos, buscando, entre outras coisas, redução de custos com ajustes no cronograma dos projetos.

Indústria local

Outra preocupação do governo é não acelerar demais os projetos que aumentem a demanda da empresa por equipamentos e serviços, devido à falta de capacidade da indústria nacional de atender às volumosas encomendas da estatal. O Programa Progredir, que pretende estimular o crescimento da cadeia de fornecedores que atendem a indústria petrolífera no Brasil, foi lançado na semana passada e levará algum tempo para dar resultados.

"O desenvolvimento da indústria demanda tempo, por isso não pode acelerar demais a exploração... a Noruega fez isso nos anos 80 e deu certo", disse a fonte. Além das áreas já exploradas pela empresa no pré-sal da bacia de Santos, que lhe garante praticamente dobrar as reservas atuais, a Petrobras tem que desenvolver os 5 bilhões de barris de petróleo equivalentes da cessão onerosa adquirida na época da capitalização da companhia, em setembro do ano passado, e continuar desenvolvendo e produzindo em áreas do pós-sal.

Apesar dos problemas que cercam a definição do plano de negócios, a fonte, de certa forma, compreende as razões do governo na condução do processo. "A empresa é muito importante no Brasil e o governo, com 48% (do capital), tem boa parte dos recursos investidos, e está olhando para os resultados da empresa e o resultado que essa empresa está dando ao Brasil", afirmou. Segundo ela, equipes da Petrobras começaram nesta segunda-feira a rever novamente o bilionário plano para que ele caiba nos vários interesses do governo.

Fonte: Terra

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