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Greve contra privatização afetará aeroportos em SP e DF por 48h

18 de outubro de 2011 às 11:06

Os funcionários da Infraero, a estatal que administra 67 aeroportos brasileiros, decidiram em assembleia paralisar as atividades por 48h nos terminais de Guarulhos, Brasília e Campinas. A greve, que começa à meia-noite desta quinta-feira, terá como objetivo alertar a população para a privatização dos três aeroportos, cujo leilão está marcado para o início do ano que vem. Segundo Marcelo Tavares, diretor do Sindicato Nacional dos Aeroviários (Sina), a entrega dos três terminais à iniciativa privada põe em risco a segurança dos voos. Os funcionários temem o sucateamento dos equipamentos de controle. De acordo com ele, 98% dos acidentes ocorrem na decolagem ou no pouso dos aviões."O processo de pouso e decolagem depende da fidelidade dos aparelhos de navegação. Essa infraestrutura tem controle quando está na mão do estado, temos como garantir a qualidade das operações. Sabemos que as entidades privadas visam somente o lucro. Por isso, tememos a queda na qualidade desse controle", disse.O sucateamento da infraestrutura de todos os aeroportos, não somente os que serão privatizados, também é motivo de preocupação. Segundo Tavares, dos 67 aeroportos gerenciados pela Infraero, somente 12 dão lucro - dos quais, três são exatamente os terminais que serão privatizados. Com esses recursos extras, a estatal consegue manter os demais aeroportos."Guarulhos corresponde a quase 40% da arrecadação. Brasília é um ponto estratégico de distribuição de voos e Campinas é o segundo maior terminal de cargas do País. A privatização desses aeroportos certamente vai dar prejuízo para a Infraero", destacou.Outra preocupação do sindicato é a possível demissão dos funcionários da Infraero após as privatizações. "Entendemos que é necessária a parceria com o setor privado. Mas não há garantia de que os empregos serão mantidos. Todos os servidores concursados da Infraero estão desesperados", afirmou o diretor do Sina.Segundo Marcelo Tavares, cerca de 5 mil funcionários trabalham nos terminais de Guarulhos, Campinas e Brasília. "Pelo que sentimos na assembleia, haverá adesão de 90% da categoria à greve", disse.

Concessão
A presidente Dilma Rousseff anunciou, em maio deste ano, o modelo de concessão que será usado para os aeroportos de Viracopos, Guarulhos e Brasília para que as instalações estejam prontas para a Copa do Mundo de 2014. Pelo modelo, as empresas privadas que participarem da sociedade ficarão com até 51% dos empreendimentos. A Infraero será detentora dos outros 49%. No início do ano, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicou que dez dos 13 aeroportos não estarão prontos para a Copa do Mundo de 2014.

Na prática, a operação é uma privatização dos aeroportos. O percentual das empresas pode ou não voltar a ser da Infraero, a depender das regras do edital - que só deve ficar pronto no fim deste ano. As empresas que decidirem participar da concessão podem fazê-lo individualmente ou se unir em consórcios. O governo também estuda um modelo de concessão para mais dois aeroportos: Confins, em Minas Gerais, e Galeão, no Rio de Janeiro.