A avaliação dos dirigentes sindicais é de que a categoria precisa estar preparada para uma grande greve nacional
Terminou sem avanços a última mesa de negociação entre a FUP e a Petrobras. Após a realização de cinco rodadas, que teve início no dia 19 de setembro, os petroleiros ainda não receberam uma contraproposta da empresa. A pauta da categoria foi apresentada no dia primeiro de setembro e até agora a Petrobrás só concordou em antecipar a inflação dos últimos 12 meses (7,23%) e prometeu algumas conquistas relacionadas à AMS, benefícios educacionais e Petros.
Entre os principais pontos da Pauta de Reivindicações da categoria estão o ganho real de 10%, a revisão do PCAC, a segurança no emprego com a implantação da Convenção 158 da OIT, AMS, benefícios, terceirização, anistia, responsabilidade social e adicionais, o fortalecimento das CIPAs, a participação do sindicato em todas as comissões de investigação de acidentes, independentemente do tipo de ocorrência, e o fim das práticas antisindicais.
Na rodada de negociação da quinta, 13 de outubro, a FUP apresentou à empresa as reivindicações relacionadas à AMS, benefícios educacionais e Petros. Já na sexta (14), foram defendidas as principais reivindicações da categoria referentes a SMS, vantagens, PCAC, terceirização e responsabilidade social. Ao final da reunião, a FUP cobrou a data em que a Petrobrás apresentará sua contraproposta. A empresa, no entanto, informou que responderá até o dia 20 a pauta de reivindicações, desrespeitando o prazo estabelecido pela FUP e seus sindicatos, que é o dia 17 de outubro.
“Precisamos que a pauta da categoria seja respondida integralmente”, ressalta o coordenador geral do SINDIPETRO-RN, Márcio Dias, lembrando que as reivindicações dos trabalhadores foram apresentadas à empresa há quase um mês e que “a maioria dos pleitos já foram exaustivamente discutidos nas campanhas passadas”.
309 petroleiros mortos em acidentes de trabalho
A defesa da vida é o eixo principal da campanha reivindicatória dos petroleiros, cujo tema é “A vida, sim, é a nossa energia – Exploração, só de petróleo”. Este ano, 15 trabalhadores morreram em acidentes na Petrobrás. Somente em agosto, foram oito vítimas, num total de 309 desde 1995. Um número alarmante que reflete a insegurança crônica que vivem os trabalhadores da Petrobrás e subsidiárias, principalmente os terceirizados, que são as maiores vítimas de acidentes na empresa.