Os preços do petróleo irão aumentar e podem afetar a economia, caso uma esperada escassez se materialize no final deste ano, disse nesta terça-feira o secretário geral da Opep, Abdullah al-Badri.
Países consumidores pediram à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) que produza mais petróleo para substituir a oferta interrompida da Líbia, e para evitar que um aumento da inflação afete o crescimento econômico.
Ao invés das negociações da semana passada, que terminaram sem acordo, Badri disse que o secretariado da Opep apresentou a todos evidências de aumento da produção.
Economistas apontaram para a necessidade de mais 2 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) no terceiro trimestre e 1,5 milhão de bpd nos últimos três meses do ano.
"Caso essa escassez de 2 milhões de barris se materialize, no terceiro e no quarto trimestres, então os preços aumentarão, com certeza", disse o secretário geral.
Mais petróleo saudita
Com ou sem acordo, o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, Ali al-Naimi, disse que o reino produzirá tanto petróleo quando for necessário para o mercado.
Já que a Arábia Saudita é o único país capaz de elevar a produção de maneira significativa, o aumento esperado em sua oferta elevou as preocupações nos mercados de que a capacidade ociosa mundial esteja diminuindo rapidamente.
Badri disse que a capacidade ociosa é de "4,5 milhões de bpd ou mais", deixando o bastante para quaisquer emergências. Ele não prevê uma repetição da máxima atingida em 2008, quando o petróleo nos EUA chegou a US$ 147 o barril.
"Eu não acho que veremos (o preço do petróleo) a US$ 147. Eu acho que agora temos capacidade ociosa. Acho que, caso os consumidores cheguem aos membros da Opep pedindo por mais petróleo, eles irão vender."
Por volta das 14h, o petróleo tipo Brent era cotado a US$ 120,04 o barril e em Nova York a commodity era negociada a US$ 98,90 o barril.
Sem meta delimitada
Bradi disse que não será arrastado por uma faixa de preço considerada adequada pela Opep, mas afirmou que seu objetivo é chegar a preços moderados.
"Nós realmente não discutimos o preço. Olhamos para a balança", disse Badri. "Nós não queremos ver um preço muito alto. Não queremos ver um preço muito baixo. Queremos ver um preço moderado."
"Nós achamos que os altos preços vão afetar o crescimento mundial."
Badri insistiu que a Opep irá cumprir sua ordem de moderação dos preços e que na próxima reunião, em dezembro, vai conseguir chegar a um acordo.
Fonte: Portal Terra