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Lei dos postos: voto, medo e convicção

Autor: 
George Câmara

A vida em sociedade nos coloca, permanentemente, diante de conflitos. Interesses conflitantes contrapõem cotidianamente pessoas, entidades, empresas e instituições, refletindo-se, portanto, nas ideias. É bom lembrar que durante todos os dias enfrentamos divergências nas mais variadas esferas da vida social: na família, na escola, no bairro, no trabalho, e assim por diante. Na política não é diferente.

Considero, portanto, absolutamente natural quando se instala a polêmica no parlamento (em italiano, derivado do latim, parlar ou parlare significa falar). Uma casa legislativa é, em essência, um local de debate, de luta de ideias. Por essa razão o voto de cada parlamentar expressa o resultado desse conflito democrático de ideias, desse debate. Segundo alguns estudiosos, no poder legislativo o voto é a extensão da tribuna.

Na recente polêmica envolvendo a votação do Projeto de Lei 411/2009, de autoria do Vereador Raniere Barbosa (PRB), a Câmara Municipal de Natal vivenciou esse exercício democrático. A matéria foi tratada em pelo menos três audiências públicas e em inúmeras sessões ordinárias. Na segunda e última votação, em 01/09/11, foi rejeitada em plenário pelo apertado resultado de 10 X 9, com duas ausências de vereadores.

O projeto, se aprovado, permitiria a instalação em Natal de postos de combustíveis em supermercados, hipermercados e congêneres. Sob o pretexto de baixar o preço do combustível, argumento amplamente explicitado pelos vereadores que votaram a favor da matéria, a nosso ver tal medida, se aplicada, provocaria um efeito prejudicial às pequenas redes de supermercados locais, gerando uma concorrência absolutamente desigual em favor das grandes redes de supermercados (todas estrangeiras). Resultado: quebradeira e desemprego, na frágil economia potiguar.

Além disso, entendo que na sociedade capitalista, permeada por inúmeros conflitos de gigantescos interesses, quem regula o mercado não é o mercado, e sim a legislação protetora da sociedade. Basta verificar a legislação de todos os países ricos, buscando proteger a sua economia contra o conhecido fenômeno do dumping (redução temporária do preço de produtos pelos grandes para levar os pequenos à falência e posteriormente praticar preços abusivos, sem concorrência).

Com esta convicção expressei, no debate e no voto, a posição contrária ao projeto, por entender que sua aprovação traria graves prejuízos ao comércio varejista local, de porte infinitamente inferior às três grandes redes multinacionais presentes no mercado de Natal: as francesas Carrefour e Cassino/Pão de Açúcar e a norte-americana Wal-Mart.

Nesse debate, causou estranheza o discurso apelativo que abomina a presença de variados setores da sociedade, em defesa de seus legítimos interesses, na Câmara Municipal. Triste de um parlamento que fecha suas portas para a sociedade. Que venham abertamente, à luz do dia, trabalhadores, comerciantes e tantos outros setores expressar livremente seus argumentos para os vereadores, para que a Câmara Municipal de Natal possa votar lastreada no mais amplo conhecimento das matérias em pauta.

Curiosamente o grupo francês Carrefour, segunda maior rede do setor em todo o planeta, principal interessado na matéria, como grande beneficiário da pretendida “abertura” proposta no projeto, foi o único que se manteve em silêncio, conforme observou o atento jornalista Roberto Guedes, em recente artigo no “Novo Jornal”, em nossa Capital potiguar.

Certa vez, assistindo à sessão de uma das turmas do Superior Tribunal de Justiça – STJ, em Brasília, lembro quando o Ministro Luiz Fux (hoje no Supremo Tribunal Federal – STF) fez o seguinte comentário: “uma Corte que vota com medo vale tanto quanto o seu medo”. Por convicção, entendo que o mesmo raciocínio se aplica a uma Casa Legislativa.

Comentários

A Petrobras S.A durante

A Petrobras S.A durante aquela manifestação contra os aumentos de preços da gasolina, divulgou o preço do combustível nas refinarias, que na época era de R$ 1,05,, porque você não solicita que a Petrobras Distribuidora, mais conhecida como BR (embora BR é marca de toda a Petrobras) divulgue seu preço de venda aos postos ? Em Natal a grande maiorida dos postos são da bandeira BR, assim ficamos sabendo quanto os postos estão ganhando.

Postos gasolina

Caro George gostaria que investigasse do alto de sua visão sobre a sociedade o que há por traz da recente blitz realizada no carrefour da zona norte , onde existe um posto de combustível que incomida muito o comércio da região. Desconfio que a questão é muito mais abrangente.

Postos gasolina

Caro George gostaria que investigasse do alto de sua visão sobre a sociedade o que há por traz da recente blitz realizada no carrefour da zona norte , onde existe um posto de combustível que incomida muito o comércio da região. Desconfio que a questão é muito mais abrangente.

Lei dos postos

Todo este desconforto com relação aos postos é porque com novas empresas vendendo combustíveis a concorrência terá de ser verdadeira, o que não acontece em Natal atualmente. Se os preços hoje estão mais baixos é porque o debate está acontecendo e os chamados micro-empresários estão com medo da mudança.

Lei dos postos

Não concordo com seu argumento de que a permissão para os supermercados venderem combustíveis iria causar prejuízo aos pequenos mercados. O fato de um supermercado ter um posto de gasolina, não significa que todos os que irão abastecer nele também irá consumir outros produtos no mesmo, se fosse assim, todos os mercadinhos próximos ao Carrefour zona norte teriam falido, pois lá existe um posto, embora não seja dele é do lado. Postos de gasolina em supermercados não garantirão um preço baixo, mas podem forçar o preço mais baixo se quiserem, pois como são grandes empresas não estão sujeitos às pressões dos carteis potiguares. Os rumores da falência dos pequenos mercados foram feitos também quando da instalação dos hipermercados em Natal, os mesmos estão ai a muitos anos e ainda vejo em vários bairros por onde ando um monte de budegas, mercadinhos, armarinhos etc.

Lei dos postos: voto, medo e convicção

Entendo e concordo com seus argumentos. Entretanto, antes desta polêmica os postos em Natal, todos estavam vendendo com preços iguais e muito mais altos que atualmente. A dúvida é como fazer valer a concorrência se existe um pacto de maior lucro destes chamados "micro-empresários", que na verdade são geralmente ricos ou ligados a políticos.

Postos de gasolina em Natal

Caro George, tenho por você respeito e profunda admiração, mas nesse debate à respeito do seu voto nessa questão, penso que há diversos equívocos da sua parte. Seguindo o seu raciocínio, todas as empresas do ramo de panificação, comércio de eletroeletrônicos, açougue, farmácias, entre outros, deveriam estar fechadas devido o Carrefour, Wal-Mart e Casino-Pão de Açúcar também explorarem em nossa cidade esses serviços. Deveria haver uma lei também para proibir que existam esses serviços nos supermercados, ou essa lei só se justifica para postos de gasolina? Também seguindo esse pensamento, a concorrência não existe em uma sociedade capitalista, sendo apenas uma forma de favorecer às grandes empresas. Posso lhe garantir que em J. Pessoa, onde o Carrefour explora o mercado de combustíveis, os preços são mais baixos do que aqueles praticas em Natal, como ainda existem postos que oferecem preços ainda mais baixos do que o Carrefour. Ainda na semana passada, quando lé estive, abasteci no Carrefour a R$ 2,45, embora tenha encontrado a gasolina até por R$ 2,39. Nesse dia em que abasteci no Carrefour e precisei ir ao supermercado. Por ter opções, procurei o que eu entendia oferecer os melhores preços, e o Carrefour não foi o escolhido. Acho ainda, que você exerceu um direito que lhe cabe ao votar contra a lei, mas cabe uma pergunta: a quem pertence o mandato? Daqueles que votaram em você, ou da sua ideologia partidária? Não caberia uma enquete a fim de saber o desejo dos seu eleitores e seguidores? Não seria essa a demonstração efetiva de que o mandato do vereador George Câmara é um mandato popular, que atende aos anseios daqueles a quem o vereador representa? Um outra questão que gostaria de levantar: os trabalhadores se organizam pra ter maior poder de barganha diante dos empresários, proprietários dos meios de produção, certo? Por esse raciocínio, qual seria a razão dos proprietários dos postos de gasolina se organizarem através de um sindicato? Contra quem ele se organizam, se de um lado estão as distribuidoras (são mais de 200 atuando no Brasil) e do outro os consumidores? Na minha simples forma de pensar, acho que a resposta parece ser bem óbvia, não? Por fim, os argumentos que você usou no seu texto são pouco convincentes, uma vez que a prática de dumping é prevista como crime pelo CADE e, portanto, existe lei para combatê-la. Mesmo com a presença desses gigantes do comércio varejista em Natal, continua existindo na rua em que moro há mais de 15 anos a bodega de seu Luis, onde vez por outra compro uma coca-cola, uma cerveja ou mesmo um pacote de farinha de trigo, da mesma forma como comprova antes da chegada dessas redes. Não podemos esquecer ainda, George, que o seu voto somado aos outros 9 parlamentares serviram, na prática, para fortalecer e justificar essa gente que se organiza em sindicatos de patrões para enfrentar os consumidores, garantindo sobremargens de lucros, ou você já esqueceu que sem qualquer justificativa, esses senhores elevaram os preços da gasolina para R$ 3,00 há cerca de 4 meses? Pois é, de um lado, havia os patrões organizados em um sindicato, do outro, havíamos nós, consumidores que depositamos uma fé nos parlamentares que deveriam (ou poderiam) nos defender.

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