Na manhã desta quarta-feira, 14, petroleiros e petroleiras da ativa, aposentados, aposentadas e pensionistas residentes em Natal promoveram um ato público em apoio às candidaturas de Lula da Silva à reeleição para a Presidência da República e de Cadu (Carlos Eduardo Xavier) ao Governo do Rio Grande do Norte. Reunindo cerca de uma centena de participantes, o evento foi realizado em frente ao edifício-sede da Petrobrás (EDIRN), no bairro Cidade da Esperança, na capital potiguar.

Diante dos desafios enfrentados pela indústria petrolífera estadual, especialmente o declínio da produção em campos maduros e a necessidade de novos investimentos em exploração, recomposição de reservas e infraestrutura, a categoria petroleira considera fundamental participar do debate político-eleitoral em curso. As perspectivas de retomada da atividade exploratória na Bacia Potiguar e o potencial da porção norte-rio-grandense da Margem Equatorial reforçam a importância de discutir o papel da Petrobrás no desenvolvimento regional e os compromissos assumidos pelos diferentes projetos políticos em disputa.

Histórico
Durante o governo Jair Bolsonaro (2019–2022), a Petrobrás promoveu a venda do Polo Potiguar, operação que incluiu a Refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré (RN), e dezenas de campos maduros de produção de petróleo e gás natural, terrestres e em águas rasas. A transferência desses ativos para a iniciativa privada representou uma mudança profunda na presença da estatal no Rio Grande do Norte, estado historicamente associado à exploração de petróleo. A operação integrou uma política mais ampla de desinvestimentos, cujos efeitos sobre a produção, os empregos, a cadeia de fornecedores e a arrecadação pública continuam sendo objeto de preocupação e debate na sociedade.

Além dos ativos potiguares, a política de desinvestimentos adotada durante o governo Bolsonaro incluiu a venda de outras refinarias, a alienação das participações da Petrobrás nas transportadoras de gás natural TAG e NTS e a venda da BR Distribuidora, que marcou a saída da estatal do segmento de distribuição de combustíveis. Essas operações modificaram a estrutura de atuação da companhia, reduzindo sua presença em diferentes etapas da cadeia petrolífera.
Em conjunto, essas decisões tiveram grande impacto econômico e social, envolvendo o patrimônio construído pela Petrobrás ao longo de décadas, além de alimentar o debate sobre os limites da privatização, a segurança energética e a capacidade do Estado de utilizar seus recursos naturais como instrumentos de desenvolvimento.

De olho no futuro
Para os petroleiros norte-rio-grandenses, em contraposição à política de desinvestimentos do governo anterior, a continuidade da atual gestão federal (2023–2026) poderá representar uma oportunidade para a retomada da atuação da Petrobrás como protagonista da atividade petrolífera no Estado.
Na avaliação do coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte (SIDIPETRO-RN), Marcos Brasil, “uma das principais mudanças promovidas pelo governo Lula foi a interrupção do processo de privatização de ativos da estatal, que vinha reduzindo sua presença em diferentes segmentos da indústria nacional de petróleo e gás”.

Especificamente no RN, Marcos Brasil destaca a suspensão dos planos de venda do edifício-sede da Petrobrás, em Natal, e da Usina Termelétrica do Vale do Açu (Termoaçu), localizada em Alto do Rodrigues. Segundo ele, “a preservação desses ativos, associada à realização de investimentos na termelétrica e à manutenção de sua participação no mercado de geração de energia, demonstra uma mudança de orientação da companhia, representando avanços importantes na defesa do patrimônio público”.
Apesar dessas mudanças, a situação da produção petrolífera potiguar continua preocupante. Em fevereiro de 2026, o RN registrou uma produção média diária de apenas 32.490 barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural), o menor patamar dos últimos 40 anos. Para o dirigente sindical, “esse resultado evidencia as consequências do declínio dos campos maduros e, principalmente, da insuficiência de investimentos privados capazes de reverter a trajetória de queda”. Nesse contexto, ele considera fundamental a “retomada da atividade exploratória pela Petrobrás, especialmente nas áreas marítimas da Bacia Potiguar”.

Expectativas
No momento, segundo Marcos Brasil, a principal expectativa está concentrada na porção potiguar da Margem Equatorial, onde a Petrobrás realizou perfurações exploratórias, incluindo o poço Pitu e, mais recentemente, Pitu Oeste e Anhangá, preparando uma nova campanha no prospecto Mãe de Ouro, também localizado em águas profundas, na costa potiguar. Segundo Brasil, a previsão é de que a sonda responsável pela operação seja deslocada para o RN no início de 2027. Ele também menciona a possibilidade de Mossoró sediar uma base de apoio às futuras atividades exploratórias, o que poderá ampliar os benefícios econômicos dos investimentos para o Estado.
No entendimento do petroleiro, a confirmação do potencial petrolífero da Margem Equatorial poderá inaugurar um novo ciclo de expansão da indústria de petróleo e gás no Estado, com reflexos sobre a geração de empregos, a contratação de fornecedores, a arrecadação de royalties e o desenvolvimento regional. Ele ressalta, entretanto, que essas perspectivas “dependem da continuidade dos investimentos exploratórios, da confirmação de descobertas comercialmente viáveis e da implantação da infraestrutura necessária à produção”.

Para Marcos Brasil, portanto, a disputa presidencial “também envolve a definição do papel que a Petrobrás deverá desempenhar nos próximos anos”. Ele defende a continuidade da atual política de investimentos e manifesta preocupação com a possibilidade de uma nova orientação governamental interromper os projetos em desenvolvimento na Bacia Potiguar. Na sua avaliação, “a recuperação da produção estadual exige uma atuação mais efetiva da estatal, capaz de combinar exploração de novas fronteiras, aproveitamento das reservas existentes e fortalecimento da cadeia produtiva regional”.