A programação do domingo, 1º, do IV Encontro de Mulheres Petroleiras foi dedicada a uma visita à Associação de Maricultura e Beneficiamento de Algas de Pitangui (Ambap), município do Litoral Norte do RN. Aliando empreendedorismo e sustentabilidade, as associadas dão exemplos de luta pela emancipação ao narrar sua rotina de trabalho com algas, atividade que é realizada em parceria com a UFRN.  

O grupo foi fundado em 2008, a partir da iniciativa das marisqueiras, que levantaram o capital inicial para promover o cultivo de algas e para a aquisição da infraestrutura mínima necessária para sediar a associação. Do conselho comunitário, conseguiram a doação do espaço para a sede da Ambap. E, desde então, o trabalho vem se aprimorando, sendo que a consultoria do Sebrae, segundo as marisqueiras, teve papel fundamental em todo o processo. 

 

Hoje, o grupo tem 14 componentes, cujo trabalho é importante não somente pela contribuição econômica (que é pouca), mas, sobretudo, pelo crescimento da consciência das marisqueiras acerca do papel social que exercem. De acordo com a presidente da Ambap, Denise Baracho, “muitas dessas mulheres se restringiam à atividade doméstica. Hoje, porém, várias já voltaram a estudar e elevaram sua consciência política com o trabalho realizado na Associação”. 

Com uma estrutura modesta, que conta com uma pequena embarcação e uma sede, as marisqueiras cultivam e colhem algas da espécie Gracilaria birdiae, as quais passam por um processo de higienização. Em seguida, são utilizadas na fabricação de cosméticos, como sabonetes, e alimentos mais saudáveis, pois podem diminuir a quantidade de farinha e açúcar em muitas massas, como o tradicional bolo de ovos. Denise Baracho conta que o trabalho ainda não gera renda suficiente para que seja possível sobreviver apenas dele, mas sua contribuição social é o que as move. 

Doação – em apoio ao trabalho das marisqueiras, o SINDIPETRO-RN doará o corrimão das escadas que levam ao primeiro andar da sede da Associação.