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31 milhões de brasileiros ascendem socialmente, classe “C” cresceu mais

24 de March de 2011 às 17:29

A distribuição dos brasileiros por classes socioeconômicas mudou nos últimos cinco anos. Deixou de ter o formato de pirâmide, típico de países pobres, com grande contingente de baixa renda, e passou a ser um losango, figura geométrica que se aproxima de uma distribuição socioeconômica mais equilibrada entre os estratos sociais e frequente em países desenvolvidos.

Essa é a principal constatação da 6ª edição da pesquisa ‘O Observador Brasil 2011’, espécie de radiografia do mercado de consumo, executada pelo instituto Ipsos Public Affairs, a pedido da Cetelem BGN, do grupo financeiro francês BNP Paribas.

A mudança de formato da distribuição das classes socioeconômicas entre 2005 e 2010 ocorreu em razão do ganho de renda que levou a uma grande mobilidade social. Só no ano passado, quase 31 milhões de brasileiros ascenderam socialmente.

Desse total, cerca de 19 milhões saíram das classes D/E e engrossaram a grande classe média, a classe C. E perto de 12 milhões de pessoas pularam da classe C para as classes de maior poder aquisitivo A/B.

"Eu não me surpreenderia se no ano que vem houvesse um empate entre as classes D/E e A/B em número de brasileiros", afirma o presidente da Cetelem BGN, Marcos Etchegoyen. De acordo com a pesquisa, a classe C já representava no ano passado mais da metade (53%) da população brasileira de 191,7 milhões de pessoas. Em 2009, a fatia da classe C era de 49% e em 2005, de 34%.

Já as classes D/E responderam em 2010 por 25% da população, ante 35% no ano anterior e 51% em 2005. No sentido oposto, a participação das classes A/B está aumentando. Cinco anos atrás, elas representavam 15% da população. Esse índice subiu para 16% em 2009 e atingiu 21% no ano passado.

Renda

Outro resultado relevante da pesquisa é que em 2010 houve ganho de renda disponível para os brasileiros de todas as classes sociais e especialmente para os estratos mais pobres. A renda disponível é aquela que sobra no orçamento das famílias depois de pagas todas as despesas e é basicamente sinônimo de consumo para as classes sociais de menor renda.

No ano passado, sobraram, em média, R$ 368 por mês no orçamento das famílias, cifra 60% maior que no ano anterior. Mas foram as classes D/E que registraram os maiores ganhos de renda disponível no período.

"Em 2010, a renda disponível dos mais pobres superou R$ 100″, observa Miltonleise Carreiro Filho, vice-presidente da Cetelem BGN. No ano passado, a renda disponível desse estrato social atingiu R$ 104, com crescimento de 70% ante 2009.

Nas contas de Carreiro Filho, a maior renda disponível entre as camadas mais pobres equivale a um total de recursos de cerca de R$ 1,4 bilhão livre para o consumo. Ele lembra também que houve uma mudança radical na renda disponível das classes D/E ao longo dos anos.

Em 2005, essa camada da população tinha renda disponível negativa em R$ 17, ou seja, a renda era insuficiente para cobrir as despesas do mês. "Faltava renda para fechar as contas", observa.

Depois dos mais pobres, as classes mais ricas, A/B, registraram a maior taxa de crescimento da renda disponível em 2010, com aumento de 46%, de R$ 680 em 2009 para R$ 991 em 2010. Já a classe média teve o menor ganho de renda disponível no período. Em 2009, a renda disponível da classe C era de R$ 204 e subiu para R$ 243 no ano passado, com acréscimo de 19%.

Otimismo

Entre 13 países pesquisados pelo BNP Paribas, o Brasil foi o mais bem avaliado pela sua população em 2010. De zero a dez, o País obteve nota 6,8 e ficou um ponto à frente da Alemanha.

Fonte: O Estado de S.Paulo

 

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