Reunidos na manhã desta terça-feira, 9, em Natal, trabalhadores e trabalhadoras da Petrobrás lotados no EDIRN (Edifício Sede da companhia no Rio Grande do Norte) aprovaram, sem votos contrários e apenas duas abstenções, a proposta defendida pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pelo SINDIPETRO-RN de deflagração de uma greve nacional por tempo indeterminado a partir de 15 de dezembro.
A decisão acompanha e fortalece a tendência observada em assembleias realizadas em diversos estados, onde a categoria petroleira vem se posicionando maciçamente a favor do movimento, evidenciando a insatisfação generalizada diante da postura de indiferença adotada pela Direção da Petrobrás frente à pauta de reivindicações apresentada pelas entidades representativas dos trabalhadores.

A assembleia realizada em Natal deu prosseguimento ao calendário de sessões deliberativas do SINDIPETRO-RN iniciado na segunda-feira, 8, com trabalhadores e trabalhadoras da Usina Termelétrica do Vale do Açu (UTE-VLA), e que será concluído com uma sessão virtual, ainda nesta terça-feira, com trabalhadores das plataformas marítimas e remanescentes de Natal e Alto do Rodrigues (EDIRN e UTE-VLA).
Nesta última (UTE-VLA), a assembleia presencial realizada nas dependências da unidade, no município de Alto do Rodrigues, também aprovou o indicativo de greve por unanimidade, assim como o estado de Assembleia Permanente, mecanismo considerado estratégico para manter a categoria petroleira continuamente informada, mobilizada e preparada para a deflagração de novas ações no decorrer da campanha reivindicatória.
Nos fóruns deliberativos do movimento sindical petroleiro, o sentimento predominantemente manifestado pelos trabalhadores e trabalhadoras é o de indignação e revolta. É inconcebível que, mesmo diante de reiteradas solicitações, após semanas de negociações, a Petrobrás ainda não tenha apresentado uma nova contraproposta de Acordo Coletivo de Trabalho ou qualquer avanço concreto em pontos considerados centrais, como o fim dos PEDs.
Pauta
A Campanha Reivindicatória 2025 reúne uma série de pleitos estruturados em três eixos principais. O primeiro deles, considerado essencial, busca uma solução definitiva para os Planos de Equacionamento de Déficits (PEDs) do Plano Petros, avaliados pela categoria como responsáveis por comprometer severamente a renda de aposentados e pensionistas. Neste tópico, a principal reivindicação é que a Petrobrás apresente uma proposta capaz de restabelecer a remuneração líquida dos beneficiários, garantindo-lhes o mesmo nível de recebimento anterior à instituição dos PEDs.

O segundo eixo concentra reivindicações relacionadas à valorização salarial, às condições de trabalho e à recomposição de direitos. Entre os pontos defendidos, destacam-se: ganho real de salário; fim do banco de horas e do saldo AF; tabela medida para HETT; não repasse de custos administrativos da AMS/APA aos trabalhadores; cumprimento do acordo de PLR 2019; reposição de efetivo via concursos públicos; avanços na política de cargos e salários; acordo específico para paradas de manutenção; e atendimento da pauta do segmento de E&P Offshore.
O terceiro eixo, designado como “Pauta por um Brasil Soberano e fortalecimento do Sistema Petrobrás”, aborda temas considerados estratégicos ligados ao papel da Petrobrás como instrumento de desenvolvimento nacional. Neste conjunto, destacam-se as seguintes reivindicações: suspensão imediata dos desimplantes no E&P Offshore e das demissões no E&P Onshore; mudança na política de contratação de serviços no Sistema Petrobrás; fortalecimento das unidades e incorporação dos trabalhadores vinculados a subsidiárias e empresas do sistema (PBio, TECAB, Termobahia etc.); e criação de uma comissão para discutir o Planejamento Estratégico da Petrobrás, garantindo transparência e participação das representações dos trabalhadores.
