Reunidos em assembleias em todo o país desde a última quinta-feira (03), trabalhadores do Sistema Petrobras rejeitaram a contraproposta apresentada pela companhia no dia 31 de outubro em relação às cláusulas econômicas e sociais para o Acordo Coletivo de Trabalho 2011, e mantém a decisão de cruzar os braços por tempo indeterminado a partir do próximo dia 16.

No Rio Grande do Norte, o SINDIPETRO realizou assembleias na quinta-feira, 03 de novembro, nas sedes administrativas de Natal e da Base-34, em Mossoró, bem como nos locais de embarque, quando os petroleiros decidiram pela não aceitação da proposta apresentada pela Petrobras e reafirmaram o indicativo de greve por tempo indeterminado a partir do dia 16 de novembro, com parada e controle da produção. Contudo, o coordenador geral do Sindicato, Márcio Dias, esclarece que a decisão sobre uma possível paralisação só será tomada na próxima sexta-feira, para quando está programada uma reunião com todos os sindicatos para definir os próximos passos da campanha.

“A resposta da Petrobras está muito aquém do esperado, e se até o dia 10 a Petrobras não avançar nas propostas, a categoria deve decidir por uma greve forte, com parada de produção. Temos muito claro, entretanto, que não vamos penalizar a população, não deixando faltar, por exemplo, o gás de cozinha”, esclarece Márcio Dias.

Para a categoria, a estatal desprezou as reivindicações durante as sete rodadas de negociação, desde o início da campanha salarial. Os 9% de reajuste oferecidos pela Petrobras – com aumento real (acima da inflação) entre 1,27% e 1,65% – foram considerados “provocação” ante os 10% de ganho real reivindicados.

As propostas sobre saúde e segurança dos trabalhadores também não foram satisfatórias. A categoria defende melhores condições de segurança de trabalho aos efetivos e funcionários terceirizados. Desde 1995, 310 trabalhadores tiveram acidentes fatais na Petrobras e subsidiárias. Só neste ano, 16 petroleiros morreram. Desses, 14 eram terceirizados. Durante as negociações, a estatal comprometeu-se a diagnosticar o sistema de segurança, mas ainda não propôs medidas imediatas.

“Queremos uma nova política de segurança e reabrir a discussão sobre plano de cargos e salários, e estamos com divergência em relação ao reajuste. Enquanto a Petrobras oferece ganho real entre 1,27% e 1,65%, reivindicamos 10%. Estamos falando da empresa que mais cresce no mundo”, ressalta Márcio.

Desde o início de outubro, os petroleiros vêm realizando uma série de protestos com atrasos a fim de sensibilizar a direção da Petrobras. No entanto, a postura adotada pela categoria não foi o suficiente. “A Petrobras continua resistente em avançar no atendimento das principais reivindicações dos petroleiros”, afirma a diretora de Formação Política Social do SINDIPETRO-RN, Fátima Viana.

As assembleias, que estão aprovando a greve, ainda estão sendo realizadas em alguns estados. O prazo definido em reunião do Conselho Deliberativo da FUP para o encerramento das negociações com a empresa e subsidiárias é a próxima quinta-feira (10).

Em nota, a Petrobras limitou-se a informar que apresentou às entidades sindicais propostas de cláusulas econômicas e sociais para o Acordo Coletivo de trabalho 2011. “Além de um reajuste de 9% e gratificação de 90% de uma remuneração, a empresa propõe avanços em diversos itens relacionados ao plano de saúde e previdência dos empregados, condições de saúde e segurança, entre outras questões”. Mas a estatal não comentou os efeitos de uma possível paralisação.