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CNI quer coibir ingresso de capital especulativo no país

01 de April de 2011 às 15:43

É crescente a preocupação da indústria brasileira com a trajetória do câmbio, marcada pela queda do dólar e excessiva valorização do real, que eleva o valor das mercadorias brasileiras no mercado exterior e subtrai competitividade dos exportadores. O problema maior é com a produção de manufaturados, já que para as commodities os efeitos do declínio do dólar são contrabalanceados e mais que compensados pelo aumento dos preços.

O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Andrade, cobrou nesta sexta-feira (1) "medidas urgentes" para conter o derretimento do valor do dólar, incluindo a coibição do ingresso de capital especulativo. Ontem, a moeda americana fechou cotada em R$ 1,63, o menor valor desde 2008. Hoje, o dólar já entrou na casa dos R$ 1,61.

Dogma neoliberal
"A taxa é um problema que o governo brasileiro pode resolver a curto prazo, com medidas eficientes, principalmente de tributação sobre a entrada de recursos financeiros para aplicação no mercado financeiro no Brasil, mas também coibindo as entradas de recursos especulativos. Isso o governo pode fazer, pode criar limitações à entrada desse capital, pode criar tributação, quarentena", disse Andrade, após reunião com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.

A posição em relação ao controle de fluxo de capitais não deixa de ser um avanço dos industriais. Antes só representantes dos movimentos sociais e políticos de esquerda defendiam coisas como a moralização dos fluxos e a coibição da entrada de investimentos especulativos. A liberalização do movimento de ingresso e saída de divisas estrangeiras era um dogma neoliberal que foi severamente abalado pela crise. Hoje até o FMI se diz favorável ao controle do capital estrangeiro.

Urgência
O presidente da CNI afirmou que o setor tem “urgência nessas medidas. Nós precisamos que essas medidas sejam aplicadas de maneira urgente. O dólar a R$ 1,62 só incentiva a compra de produtos no exterior."

Ele informou que a conversa de pouco mais de uma hora com Dilma foi focada na missão empresarial que acompanhará Dilma na viagem à China na próxima semana, composta por 212 empresários brasileiros, e na parceria da CNI com o governo federal no Pronatec, programa a ser lançado para garantir bolsas a alunos pobres no ensino técnico.

Defesa comercial
No entanto, em relação às medidas para conter o câmbio, Robson Andrade relatou que a presidente concorda com a necessidade de uma ação "rápida e eficiente" da área econômica do governo.

"Ela concorda plenamente com essa agenda, acha que nós temos que agir de maneira rápida, eficiente", disse. Andrade também sugeriu a Dilma a adoção de mecanismos de defesa comercial, como a imposição do que ele chamou de "barreiras técnicas" em relação à entrada de determinados produtos no país.

Do Portal Vermelho com agências

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