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Governo mexe em remuneração da poupança e abre caminho para corte de juros

Ministro afirma que as regras serão válidas para novas cadernetas, mantendo poupança como "excelente aplicação"

04 de May de 2012 às 09:38

Em reunião do Conselho Político no Palácio do Planalto, o governo federal decidiu que vai mudar as regras de remuneração das cadernetas de poupança no país. A medida foi anunciada oficialmente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no dia 3 de maio. A nova fórmula valerá apenas para investimentos que forem realizados a partir da data da medida. Quem já possui aplicações na poupança não será afetado.

A decisão será implementada por meio de medida provisória (MP) e irá vincular os juros da poupança à taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, hoje na casa dos 9% anuais. Até agora, a remuneração da poupança seguia uma fórmula independente: Taxa Referencial (TR) + 0,5% ao mês. Atualmente, isso significa um rendimento anual de 6,17%, mais a TR.

Com a nova regra, a remuneração da poupança será calculado de duas maneiras. Se a Selic for maior que 8,5% ao ano, tudo permanece igual: TR + 0,5% ao mês. Porém, se a Selic for menor ou igual a 8,5%, os juros da poupança serão calculados da seguinte forma: 70% da Selic + TR. De acordo com o Banco Central, o saldo das poupanças no Brasil somava quase R$ 429 bilhões em março, em aproximadamente 100 milhões de cadernetas.

“A nova poupança continuará sendo uma excelente aplicação”, garantiu o ministro. “Por enquanto, não haverá mudanças no rendimento das poupanças”, pois a Selic está em 9% ao ano. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) realizou seis cortes seguidos na taxa básica, que tem agora o nível mais baixo desde 2010. As mudanças virão, insistiu Guido Mantega, caso a Selic seja reduzida. “O que o governo está fazendo é tirar uma barreira para o caso de o Banco Central resolver reduzir a Selic e beneficiar, assim, toda a economia brasileira com juros menores.”

O ministro da Fazenda sustentou que essa pequena mudança nas regras de remuneração da poupança é importante para dar continuidade ao crescimento do país ao longo dos anos. “Precisamos seguir com as reformas que reduzam o custo financeiro e o barateamento do crédito, para dar à população acesso aos bens que deseja consumir”, disse. “Fizemos reunião com as centrais sindicais, e não houve nenhuma crítica à medida. Ela beneficia aos trabalhadores.”

Resquícios

O presidente do BC, Alexandre Tombini, divulgou nota de apoio à decisão do governo. "O Brasil dá um passo fundamental na direção de remover resquícios herdados do período de inflação alta", afirmou. "Ao mesmo tempo em que preserva integralmente os depósitos já feitos, a medida adapta a caderneta de poupança ao novo cenário brasileiro e com isso consolida as bases para o crescimento econômico sustentável", acrescentou Tombini, para quem a poupança "continuará sendo um patrimônio da nossa sociedade".

Rede Brasil Atual

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