A nova contraproposta apresentada pela gestão da Petrobrás, resultado direto da pressão exercida pela greve nacional dos petroleiros, abriu espaço para avanços nas negociações econômicas e sociais conduzidas pela Federação Única dos Petroleiros (FUP). Apesar disso, a ausência de respostas para pontos considerados essenciais pela categoria levou à suspensão da reunião do Conselho Deliberativo, convocado para a noite do último domingo (21), mantendo o movimento grevista em curso em unidades do Sistema Petrobras.

No fim de semana, após dias de mobilização com forte adesão em refinarias, plataformas, terminais e unidades de gás e energia, e sedes administrativas, a Petrobrás formalizou uma nova contraproposta, reconhecida pela FUP como superior à anterior. Segundo a Federação, o documento contempla avanços importantes e reflete o impacto político da paralisação nacional, que já havia provocado alterações na agenda negocial da companhia.

Com a apresentação da contraproposta, a FUP convocou o Conselho Deliberativo para discutir seu conteúdo e avaliar a possibilidade de definição de um indicativo às bases. No entanto, após a abertura da sessão, dirigentes da Federação informaram que a empresa não havia respondido a uma série de exigências encaminhadas pela mesa de negociação, levando à suspensão temporária da reunião, ainda na noite de domingo.

Entre os pontos pendentes estão a garantia de que todas as subsidiárias do Sistema Petrobrás acompanhem integralmente a proposta apresentada pela holding; a não aplicação de descontos salariais nem punições administrativas pelos dias parados; o atendimento das reivindicações logísticas e de hospedagem dos trabalhadores offshore; e a equiparação dos direitos praticados em Urucu aos petroleiros de Coari. Além disso, a FUP aguarda uma carta-compromisso da Petrobrás contemplando os entendimentos sobre os Planos de Equacionamento dos Déficits (PEDs) da Petros, tema sensível especialmente para aposentados e pensionistas.

Com isso, a greve não apenas permanece, como segue em fase decisiva. A Federação orienta os sindicatos a manterem a mobilização, enquanto espera o retorno formal da companhia sobre os pontos cobrados. A continuidade ou não do movimento, e a possibilidade de apresentação de um indicativo às bases, dependerá da resposta da Petrobrás às demandas pendentes.

Deflagrada nacionalmente após semanas de impasse, a greve tem como eixos principais a solução definitiva para os PEDs da Petros; a distribuição justa da riqueza produzida pelos trabalhadores, com valorização salarial e respeito aos direitos; e a defesa de uma Petrobrás forte, pública e estratégica para o desenvolvimento nacional. A suspensão da reunião do Conselho, portanto, reflete a busca da entidade por segurança jurídica e política antes de submeter qualquer encaminhamento à categoria.

Nas próximas horas, a expectativa é que a Petrobrás responda aos itens levantados e que o Conselho Deliberativo seja retomado. Até lá, o movimento segue firme e a mobilização permanece como instrumento decisivo na campanha reivindicatória de 2025, mantendo o foco na defesa de direitos, condições dignas de trabalho e na valorização dos petroleiros e petroleiras de todo o país.

(Com informações da FUP)