Em reunião realizada nesta terça-feira, 02, a Petrobrás surpreendeu negativamente ao desconsiderar a proposta de negociação encaminhada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos. Sem sequer analisar previamente a pauta construída de forma coletiva e democrática pelos trabalhadores, os representantes da companhia apresentaram, de maneira precipitada, uma contraproposta para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT – PROPOSTA-FUP-ACT-2025-Anexo-DNE-056.2025) 2025, causando estranheza e atropelando o processo negocial.

A FUP havia sugerido a criação de cinco comissões temáticas para tratar em profundidade dos principais eixos da pauta que envolvem questões econômicas, benefícios, AMS e Petros, jornada e condições de trabalho, SMS e transição energética, além de relações sindicais. O objetivo era garantir transparência, entendimento aprofundado e valorização das reivindicações da categoria. Entretanto, a empresa optou por acelerar artificialmente o processo, desconsiderando as etapas propostas e ignorando pontos centrais, como a solução definitiva dos equacionamentos da Petros (PEDs).

Segundo as representações sindicais, a postura da Petrobrás representa não apenas um desrespeito aos fóruns deliberativos que consolidaram as demandas da categoria, mas também um gesto de insensibilidade diante de questões urgentes. Ao apresentar uma “resposta” apressada, a gestão deixa de lado debates estratégicos sobre o fortalecimento da empresa e insiste em anunciar medidas de privatização, como no caso do Polo Bahia Terra e da PBio, que contrariam a política defendida pelo Governo Federal.

O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, criticou duramente a precipitação da companhia. “O espaço negocial para nós é importantíssimo. Parece que a orientação que veio para vocês é de uma pressa demasiada. Nós não temos pressa. Queremos avançar na negociação, tratando dos vários temas que já pontuamos, entre eles, o principal que não apareceu em nenhuma das falas de vocês: a questão dos PEDs, que precisa de solução definitiva em 2025”, destacou.

A Federação reforçou que a construção do ACT exige um processo sério, respeitoso e detalhado, em que a empresa escute, questione e compreenda a pauta antes de apresentar uma contraproposta. Para a FUP, somente assim será possível garantir que o resultado final seja fruto de verdadeira negociação, e não de imposição unilateral movida pela pressa e pela falta de compromisso com os trabalhadores.

Veja o documento protocolado pela FUP: DNE-059.2025-ACT-2025-–-Campanha-Negocial-–-Posicionamentos-Eixos-e-calendario-negocial-1

Comissões Temáticas

Ainda na terça-feira, no período da tarde, a FUP formalizou a reivindicação apresentada pela manhã, na reunião com a empresa, visando o estabelecimento de um calendário de negociação temática, com funcionamento a partir de 9 de setembro, dividido em cinco grandes eixos da pauta de reivindicação:

  1. Pautas econômicas e Benefícios, ou seja, a distribuição da riqueza gerada pelos trabalhadores;
  2. AMS e Petros (inclusive, tratar na mesa de negociação as soluções que estão sendo debatidas com a alta gestão e o governo para acabar com os PEDs);
  3. Jornada, Frequência e Condições de Trabalho;
  4. SMS, efetivos, transição energética justa;
  5. Relações sindicais, Anistia e Prestadores de Serviço.

Com informações da FUP