Às vésperas da data-base, Petrobrás silencia sobre pauta reivindicatória dos trabalhadores, mas paga “gratificação extraordinária” para gerentes, consultores, supervisores e coordenadores. Indignada, categoria promoverá manifestações e atos públicos em todo o País, culminando com uma paralisação de advertência, na manhã da próxima sexta-feira, 13.
Nos próximos dias, a diretoria do SINDIPETRO/RN estará intensificando os esforços de mobilização da categoria petroleira, em todas as bases do Estado. O objetivo é pressionar a direção da Petrobrás para que esta se manifeste, o mais rapidamente possível, sobre a pauta de reivindicações dos trabalhadores, que visa atualizar as cláusulas econômicas do Acordo Coletivo de Trabalho – ACT.
Aprovada na II Plenária Nacional da FUP, realizada no mês de junho, em Brasília, a pauta foi entregue à Companhia no início de julho. Considerando que a data-base da categoria é 1º de setembro, pode-se dizer que o movimento sindical petroleiro trabalhou de forma a assegurar tempo suficiente para que se pudesse empreender uma boa negociação, sem maiores atrasos.
No entanto, confirmando previsões de que buscaria retardar a celebração de um novo Acordo, a Petrobrás, até o momento, não se manifestou sobre a pauta. E ainda pior. Quando teve oportunidade de fazê-lo, durante a reunião realizada em 27 de julho, limitou-se a dar respostas evasivas, e confirmar que efetuara o pagamento de uma “gratificação extraordinária” para gerentes, consultores, supervisores e coordenadores, nos salários de julho.
Indignação – Em plena Campanha Reivindicatória, a concessão de um “bônus” destinado aos ocupantes de funções gratificadas causou grande indignação na categoria e constrangeu alguns dos beneficiados. A justificativa de que estes estariam sendo assediados pelo setor privado, simplesmente, não convence. Tanto quanto eles – os demais trabalhadores também têm sido sondados, até porque estão com salários defasados em relação ao mercado ou mesmo à administração pública.
Ao contrário do apregoado, o que transparece do gesto da Petrobrás é a intenção de promover um grande “cala a boca” junto ao corpo dirigente, a fim de reforçar a estratégia adotada pela Companhia: retardar as negociações para desgastar e enfraquecer o movimento. Cabe à categoria petroleira criar as condições para que a sua capacidade de mobilização e pressão se manifeste com toda a plenitude.