Em reunião realizada nesta quinta-feira, 28, no edifício-sede da Petrobrás (Edise), no Rio de Janeiro (RJ), dirigentes da Federação Única dos Petroleiros – FUP e gerências da Petrobrás iniciaram conversações com vistas à deflagração das negociações para o estabelecimento do novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT 2025-2027). Durante o encontro, os representantes da companhia anunciaram a prorrogação da vigência do atual ACT por 30 dias, mas não se manifestaram sobre a reposição da inflação, pleitos que já haviam sido formalmente encaminhados pela FUP e Sindicatos na semana anterior.
Na ocasião, ficou acertado que as negociações terão início em 2 de setembro e, segundo o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, um dos principais eixos de luta da campanha reivindicatória é a solução dos equacionamentos da Petros, os famigerados PEDs. A expectativa dos trabalhadores ativos, aposentados e pensionistas é pela conquista de um Acordo Coletivo forte, que valorize a categoria, garanta a reparação dos direitos retirados pelas gestões indicadas pelos governos passados e avance em novas conquistas.
A pauta de reivindicações que estará na mesa de negociação foi aprovada na 12ª Plenária Nacional da FUP (Plenafup), realizada em julho, em Recife (PE). O documento será protocolado junto à Petrobrás em 1º de setembro. A companhia informou que durante a negociação do ACT estarão suspensas todas as comissões de negociação, entre elas a de Plano de Cargos e Salários. A FUP cobrou celeridade na apresentação do relatório com as propostas construídas pelo Grupo de Trabalho que discutiu o SMS na Prestação de Serviço.
Discurso oficial
Durante a reunião, que contou com a presença da gerente executiva de Recursos Humanos, Lilian Soncin, e dos gerentes executivos de Desempenho, Alexandre Martins, e de Estratégia, Mário Jorge da Silva, os representantes da Petrobrás falaram sobre os desafios que a empresa enfrenta para continuar crescendo e fazer a transição energética no atual cenário geopolítico de queda do valor do barril de petróleo. Para a FUP, entretanto, a apresentação evidenciou a tentativa da gestão de justificar políticas de austeridade com base na perda de receitas e no aumento do endividamento.
Em contraponto ao discurso gerencial, estudos do Dieese e do Ineep, apresentados na reunião (DIEESE-E-INEEP-Reuniao_FUP-Petrobras), demonstraram que a Petrobrás já foi capaz de superar diversos momentos de volatilidade do Brent, atravessando crises conjunturais com resiliência. Mesmo após o desmonte promovido pelas privatizações e desinvestimentos dos governos Temer e Bolsonaro, a companhia segue estratégica e altamente lucrativa, sustentada pela capacidade técnica e pelo comprometimento de seus trabalhadores, próprios e contratados, ativos e aposentados.
Segundo os dados apresentados, os principais desafios atuais decorrem de decisões passadas que priorizaram dividendos a acionistas, em detrimento de direitos, empregos e investimentos, incluindo a venda de refinarias, campos de petróleo e subsidiárias estratégicas, como a BR Distribuidora. Nessa linha, a FUP enfatizou que a reconstrução da Petrobrás depende da força de trabalho, que enfrenta o cotidiano da operação com um quadro reduzido, após a saída de mais de 40 mil empregados nos PIDVs.
Argumento cruel
Segundo as lideranças sindicais presentes na reunião, os problemas conjunturais não serão resolvidos com mais sacrifícios dos trabalhadores, enquanto 47% dos dividendos seguem destinados a investidores estrangeiros. Os dirigentes da FUP afirmam ainda que é cruel ver a insistência da empresa em justificar a falta de recursos para corrigir problemas estruturais, como os PEDs, a redução de efetivos, a insegurança no trabalho, a precarização e a desigualdade entre contratados, com o argumento da austeridade.
O coordenador-geral, Deyvid Bacelar, afirmou que “os trabalhadores querem protagonismo na distribuição da riqueza gerada e que esta deve ser utilizada em benefício da população brasileira”. E mesmo reconhecendo avanços, como a retomada de investimentos e a ampliação da capacidade das refinarias, Bacelar defendeu medidas mais ousadas: recomprar refinarias vendidas, investir em tecnologias de combustíveis do futuro (hidrogênio, e-metanol) e retomar a atuação na distribuição e comercialização.
A FUP também cobrou que a transição energética seja conduzida de forma justa, inclusiva e participativa, com diálogo entre Petrobrás, trabalhadores e comunidades impactadas. Reivindicou ainda que a empresa volte a assinar um acordo de marco global de boas práticas trabalhistas, sociais e ambientais, garantindo condições decentes de trabalho e segurança a todos os contratados. Por fim, reiterou que o ACT deve contemplar todo o Sistema Petrobrás, sem discriminações entre subsidiárias, e avançar para a efetiva incorporação dos trabalhadores.
Com informações da FUP
Confira a avaliação do coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, ao final a reunião: