Com o tema “Transição Energética”, o diretor do Sindipetro-RN, Rafael Matos, ministrou palestra durante a programação da primeira edição da Exposição de Ciências, Energias Renováveis e Informática – ExpoEngin-2025. Promovido pelo Centro Estadual de Educação Profissional Professora Maria Rodrigues Gonçalves (CEEP–PMRG), em Alto do Rodrigues (RN), o evento foi realizado nos dias 10, 11 e 12 de novembro, reunindo palestras, exposições, minicursos e demonstrações tecnológicas.
Segundo Rafael Matos, a programação da ExpoEngin atraiu um público expressivo, envolvendo a comunidade escolar, autoridades municipais e estudantes interessados no universo da Educação Profissional Técnica. Em sua intervenção, o dirigente sindical, que é engenheiro mecânico com especialização em Gestão de Energias Renováveis, promoveu uma reflexão sobre os rumos do setor energético, destacando os desafios e as oportunidades que cercam o processo de transição para fontes limpas e sustentáveis.
O que é?
No início de sua fala, Rafael instigou o público com uma pergunta central: “O que é, afinal, a transição energética?”. A partir desse questionamento, conduziu uma discussão interativa sobre a importância da energia na vida cotidiana e o papel dos países e organismos internacionais na construção de políticas ambientais. Relembrou marcos como a Eco-92, o Protocolo de Kyoto e o Protocolo de Kigali, destacando o avanço das discussões sobre o efeito estufa, a destruição da camada de ozônio e a necessidade de redução das emissões de gases poluentes.
O palestrante também apresentou um comparativo entre a matriz energética mundial e a brasileira, ressaltando que o Brasil possui uma posição de destaque no uso de fontes renováveis, como a energia hidráulica, eólica e solar. Enquanto a matriz global ainda é majoritariamente dependente do carvão mineral e do petróleo, a brasileira já se encontra em um patamar mais avançado, embora ainda haja muito a ser feito em termos de eficiência e infraestrutura.

Rafael aproveitou o momento para aproximar o debate da realidade local, abordando o papel do Rio Grande do Norte no contexto nacional da energia renovável. Citou o Atlas Eólico e Solar do RN, elaborado em parceria entre o Governo do Estado, FIERN, SENAI e outras instituições, segundo o qual cerca de 95% da matriz energética potiguar é composta por fontes renováveis. Mesmo assim, alertou para o fato de que o Estado ainda carece de linhas de transmissão e infraestrutura adequada para que todo esse potencial se traduza em desenvolvimento econômico e social.
Ponto crítico
De acordo com o engenheiro, esse é o ponto crítico da transição energética no Estado e em boa parte do País: “Embora tenhamos autossuficiência na geração de energia, não dispomos da estrutura necessária para transportar e utilizar essa produção de forma eficiente. Isso compromete a arrecadação tributária, o preço da energia e a atração de novos investimentos”, destacou.
Durante o debate, Rafael explicou que a transição energética deve ser entendida como um processo gradual, que requer planejamento, tecnologia e políticas públicas consistentes. Citou como exemplo o hidrogênio verde, tecnologia em expansão que desperta curiosidade e expectativas, mas que, segundo ele, não substituirá imediatamente as fontes tradicionais de energia. “O petróleo ainda é a cadeia produtiva mais integrada e continuará tendo papel estratégico. O que precisamos é reinvestir os recursos advindos dele em infraestrutura e inovação”, argumentou.
Entre as medidas consideradas prioritárias, Rafael Matos apontou a duplicação de rodovias, o fortalecimento das ferrovias e hidrovias, a criação de portos integrados e parques industriais, além da instalação de centros de pesquisa e institutos tecnológicos capazes de monitorar e aperfeiçoar sistemas eólicos e solares. Também defendeu investimentos em redes inteligentes de distribuição e na interligação energética entre as regiões Nordeste e Sudeste, com o objetivo de garantir estabilidade e expansão tecnológica.
Interesse e entusiasmo
A fala do diretor do Sindipetro-RN despertou grande interesse entre os participantes da ExpoEngin. Muitos estudantes se mostraram impressionados com a dimensão dos desafios apresentados e com a análise crítica sobre os gargalos estruturais do país. Alguns, inclusive, afirmaram que pretendem aprofundar o tema em seus trabalhos de conclusão de curso, investigando as deficiências da infraestrutura energética estadual e nacional.
Para Rafael, o entusiasmo dos jovens é um sinal positivo. “O que mais chamou a atenção foi o interesse da juventude em compreender o papel do Brasil nessa nova era energética. Eles percebem que a transição não é apenas uma questão técnica, mas também social e econômica. Precisamos formar profissionais capazes de pensar o desenvolvimento de maneira integrada”, avaliou.
O engenheiro ressaltou ainda que o Brasil, embora disponha de recursos naturais abundantes, como sol, vento e água, ainda precisa avançar em maturidade tecnológica, qualificação de mão de obra e segurança jurídica para atrair investimentos. “A transição energética só será justa se gerar oportunidades para os trabalhadores e trabalhadoras, especialmente para os jovens. É preciso garantir que a mudança de matriz venha acompanhada da criação de empregos, renda e inclusão”, enfatizou.
Encerrando sua participação, Rafael destacou o papel estratégico do Sindipetro-RN na defesa de uma transição energética planejada, justa e soberana, que considere o papel do petróleo como financiador da mudança e promova o desenvolvimento regional. “O desafio é transformar o potencial em realidade. O Rio Grande do Norte pode ser um laboratório exemplar dessa nova etapa da história energética do país”, defendeu o dirigente sindical.