Na manhã da última quinta-feira, 15, uma delegação de diretores do SINDIPETRO-RN reuniu-se com o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação do Rio Grande do Norte, Alan Jefferson da Silveira Pinto. Em pauta, a situação do setor petrolífero e os esforços de articulação por mais investimentos em exploração e produção na Bacia Potiguar.

Com a conclusão de diversas campanhas reivindicatórias de trabalhadores e trabalhadoras do setor, voltadas ao estabelecimento de novos Acordos Coletivos de Trabalho, entre eles o da Petrobrás, a agenda com o governo representou a retomada desses esforços, amplamente desenvolvidos pelo Sindicato no segundo semestre de 2025.

Segundo o coordenador-geral do SINDIPETRO-RN, Marcos Brasil, a reunião foi uma oportunidade para confirmar o diagnóstico do setor, caracterizado pelo progressivo declínio da atividade no Estado. Na ocasião, os representantes sindicais reafirmaram profunda preocupação com a situação, que vem confirmando prognósticos anteriores.

“Em outubro de 2025, o boletim da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registrou o menor volume de produção norte-rio-grandense dos últimos 30 anos. Além disso, ainda em 2025, foram contabilizadas mais de 500 demissões de trabalhadores e trabalhadoras do setor, o que gera impactos significativos no campo social”, informou Marcos Brasil.

Na avaliação dos representantes sindicais, as produtoras independentes que assumiram as operações no Estado após a privatização dos campos petrolíferos anteriormente operados pela Petrobrás enfrentam grandes dificuldades financeiras. De acordo com Marcos Brasil, essas operadoras “não estão conseguindo realizar os investimentos necessários para aumentar a produção e, em alguns casos, nem mesmo para mantê-la”.

Alternativas

A alternativa defendida e debatida pelo Sindicato em diversos fóruns estaduais e municipais, segundo Marcos Brasil, aponta para a necessidade de que a atividade petrolífera potiguar, ainda muito importante para a economia do Estado, seja ancorada por uma grande empresa, como a Petrobrás.

“Precisamos de uma empresa com capacidade de investimento e expertise porque as grandes empresas privadas internacionais não têm interesse em explorar uma bacia de campos maduros. Não defendemos a saída dos produtores independentes. O que queremos é que haja uma gigante atuando junto com eles, em sintonia e parceria”, defende Marcos Brasil.

Esforços

Durante a reunião, ao compartilhar preocupações com o desenvolvimento da situação do setor, os representantes do governo relataram que vêm empreendendo esforços tanto junto às empresas privadas quanto à Petrobrás, no sentido de construir acordos capazes de viabilizar o retorno dos investimentos no setor petrolífero do Rio Grande do Norte.

Nessa direção, segundo Marcos Brasil, os gestores informaram que têm atuado para viabilizar a exploração da Margem Equatorial, a modernização da Refinaria Clara Camarão e a exploração dos 33 blocos exploratórios onshore incluídos no edital da Oferta Permanente de Concessão (OPC), envolvendo tanto produtores independentes quanto a Petrobrás.

“O próprio secretário – relata Marcos Brasil, colocou-se à disposição para articular uma reunião com a governadora e outros secretários de Estado, a fim de ampliar e aprofundar o debate sobre a situação e identificar ações que possam ser desenvolvidas”. Com os mesmos propósitos, o coordenador informa que o Sindicato deverá buscar outras forças políticas, incluindo parlamentares federais e estaduais com os quais a entidade ainda não dialogou.

Presença

Além do coordenador-geral do SINDIPETRO-RN, Marcos Brasil, estiveram presentes no encontro os diretores Rafael Matos, Márcio Dias, Fátima Viana, George Câmara e Pedro Idalino, e o assessor Paulo César. Pelo Governo do Estado, participaram o secretário Alan Jefferson, o secretário adjunto Hugo Alexandre da Fonseca, o chefe de Gabinete Victor Hugo Diniz e a diretora de Desenvolvimento Energético, Emília Dalva do Vale Casanova.