Desde a primeira semana de dezembro, as trabalhadoras e os trabalhadores dos Correios organizados por diferentes sindicatos estão em estado de greve, negociando pela por melhores condições salariais e contra a perda de benefícios já conquistados ao longo dos anos. Com a data-base vencida e o esgotamento das negociações, a categoria realiza nesta terça, 16, uma série de assembleias para decidir se entra em greve por tempo indeterminado já a partir das 22 horas de hoje.

Em negociação com a empresa desde o dia 29 de julho, trabalhadoras e trabalhadores dos Correios podem cruzar os braços, se a última proposta da empresa for rejeitada. A categoria defende a manutenção de direitos já conquistados, como o adicional de 70% nas férias, o pagamento em dobro nos fins de semana e o vale-alimentação de Natal no valor de R$ 2,5 mil.

“Em vez de apresentar propostas que valorizem a categoria, a empresa colocou sobre a mesa uma pauta de retrocessos. Entre eles está a retirada do vale-alimentação de Natal, um direito histórico que sempre fez parte da convenção coletiva. Mas há outros pontos gravíssimos, como o caso do plano de saúde, que a empresa deseja nao ser mais a mantenedora. Como ficará uma vez que já está precarizado e com aumentos constantes de mensalidades, coparticipação e sem atendimento de credenciados pro falta de pagamento? Mais uma medida que atinge diretamente a qualidade de vida e a segurança dos trabalhadores e de suas famílias”, destaca a secretária-geral do Sintcom-PR, Elisabete Ortiz.

Ainda de acordo com ela, a empresa também propõe a implantação da jornada 12×36, o que seria o aprofundamento definitivo da precarização das condições de trabalho da categoria. O fechamento de mil unidades próprias também preocupa os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios, com o anúncio da demissão de 15 mil pessoas por meio de um PDV. “Mais desemprego e insegurança para todos nós”, completa Elisabete Ortiz.

Elisabete ainda elenca uma série de outros problemas e retrocessos, como a recusa em pagar de forma retroativa à data-base de 1º de agosto. “Curiosamente, enquanto os trabalhadores são chamados a ‘apertar o cinto’, o alto escalão recebeu aumento de 14% apenas neste ano”, ironiza a dirigente do Sintcom-PR. “Por todos esses motivos, esperamos uma forte participação nas assembleias em todo o Brasil, inclusive no Paraná e em Curitiba”, finaliza a secretária-geral do Sintcom-PR.

Entre os sindicalistas de todo o Brasil, o clima é de insatisfação, diante da postura da gestão da empresa, e a tendência é que a maioria da categoria vote pela deflagração da greve caso não haja alteração na proposta apresentada. A FUP e seus sindicatos, que estão nesse momento liderando uma greve nacional da categoria petroleira por retomada de direitos e pelo fortalecimento do Sistema Petrobrás, se solidarizam com os trabalhadores e as trabalhadoras dos Correios.

Veja o recado do diretor da FUP, Tezeu Bezerra:

[Com informações da CUT-PR e do Sismuc]