Diversos estados brasileiros vêm promovendo campanhas de vacinação contra o vírus “papiloma humano” – o HPV. O vírus é responsável pelo câncer de colo de útero ou câncer cervical que, embora passível de prevenção e cura, ainda é responsável por um grande número de mortes entre mulheres, especialmente em países em desenvolvimento. É o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres, perdendo apenas para o câncer de mama, e tem ainda números acima dos casos de AIDS, de acordo com o Departamento de DST e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Seu risco estimado é de 18 casos a cada 100 mil mulheres.
A transmissão mais frequente do HPV se dá pela via sexual, mas pode ocorrer também pelo contato de pele. As alterações das células que podem desencadear o câncer são descobertas facilmente no exame preventivo (Papanicolaou), por isso é importante a sua realização periódica. Quando essas alterações são identificadas e tratadas, é possível prevenir a doença em praticamente 100% dos casos.
Outra estratégia de prevenção é a vacinação contra HPV. Duas vacinas estão, atualmente, registradas no Brasil, ambas prevenindo contra a infecção pelos dois subtipos oncogênicos mais prevalentes no Brasil e no mundo, os tipos 16 e 18. Há evidências de que ambas são seguras e eficazes na prevenção da infecção pelos subtipos incluídos em suas formulações, mas esta eficácia é reduzida quando a mulher já teve contato com o vírus.
Em países desenvolvidos, a implantação de programas efetivos de controle do câncer de colo uterino, com rastreamento pelo teste Papanicolaou, diminuiu em aproximadamente 70% a incidência de câncer de colo do útero nas últimas décadas. Entretanto, em países cujos programas de prevenção não foram implantados de forma adequada e sustentável, como países da África, Ásia, América Latina e Caribe, as elevadas taxas de incidência de câncer cervical persistiram.
Os resultados pós-implementação da vacina quadrivalente contra HPV nos programas nacionais de imunização com redução significativa na incidência das verrugas genitais. Países como Austrália, Dinamarca, Suécia, Nova Zelandia e Estados Unidos já publicaram estudos mostrando o impacto de vida real, confirmando os resultados alcançados nos estudos clínicos.
Assim, o crescimento e popularização de ações de prevenção das vacinas no Brasil se fazem urgentes, já que esta é uma questão de saúde pública. Apesar disso, as campanhas de vacinação gratuitas no Brasil ainda se mostram acanhadas, envolvendo, apenas, meninas de 11 a 13 anos, que estudam em escolas públicas e privadas.
Na iniciativa privada cada dose custa de R$ 240 a R$ 380, dependendo de sua composição. Como são necessárias três doses para que o organismo fique protegido contra os tipos mais perigosos do vírus HPV (existem mais de cem), a imunização não sai por menos de R$ 1.000, ou mais de dois salários mínimos.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, a imunização com a vacina quadrivalente deve ser feita em pessoas do sexo feminino e masculino na faixa etária entre 9 e 26 anos. Já a vacina bivalente é recomendada apenas para pessoas do sexo feminino de 10 a 25 anos.