Por Dedé Araújo

A ocupação de espaços institucionais pelos sindicatos — seja em Conselhos Fiscais, Conselhos de Administração ou Diretorias, nas esferas administrativa e pública — constitui uma estratégia fundamental para a democratização da gestão e o fortalecimento do interesse público.

Partindo da premissa de que “não há espaços vazios”, é imperativo que os trabalhadores e suas representações sindicais estejam presentes nos locais onde as decisões são tomadas. Essa participação direta não é meramente simbólica; traduz-se em vantagens concretas para a empresa, para o Estado e para a sociedade.

Em primeiro lugar, a presença sindical assegura fiscalização qualificada e em tempo real, garantindo que os recursos públicos e estratégicos sejam geridos com transparência, eficiência e em conformidade com os interesses nacionais. Em empresas públicas e de economia mista, cuja missão ultrapassa o lucro e envolve desenvolvimento soberano, a visão do trabalhador é um antídoto contra desvios e prioridades que ignorem o bem comum.

Além disso, essa participação promove um alinhamento orgânico entre a gestão e os anseios dos trabalhadores diretos e indiretos. Quando aqueles que produzem a riqueza têm voz nos órgãos decisórios, políticas de investimento, inovação, segurança e carreira passam a refletir também a expertise de quem conhece o chão da empresa. Isso gera maior legitimidade, reduz conflitos e potencializa a produtividade com dignidade.

Por fim, a ocupação desses espaços é um exercício de soberania nacional democrática. Empresas estatais são instrumentos de projeto nacional, e sua gestão não pode ser capturada por interesses privados ou visões alheias ao interesse coletivo. A pluralidade proporcionada pela entrada qualificada de representantes sindicais fortalece a resiliência institucional e a conexão entre a empresa e a sociedade.

Portanto, longe de ser uma intromissão, a participação sindical na governança das empresas públicas e mistas é um imperativo de gestão democrática, transparência e soberania. É a garantia de que esses espaços serão efetivamente preenchidos em defesa do patrimônio público e em benefício de todo o povo.