O mundo está atento ao Brasil: o país do futebol. Pátria da seleção que surpreendeu ao derrotar a grandiosa Espanha, mas que, hoje, também é berço de variadas Manifestações. Assim mesmo, com “M” maiúsculo. Isso porque a mídia internacional também vem dando destaque aos protestos protagonizados pelo povo brasileiro e, em sua maioria, conferindo-lhes conotação positiva, já que há um amplo reconhecimento da necessidade de mudanças nas estruturas que regem a Pátria Amada.

O jornal francês Le Monde, por exemplo, ponderou que “Dilma se tornou uma vítima expiatória, como se sua personalidade complexa e reservada pagasse o preço de uma convulsão social inédita, um movimento que mergulha suas raízes nas águas turvas da história dessa jovem democracia com uma gestão política engessada há muitos anos”.

O fato é que a presidenta Dilma Rousseff tem uma linha de pensamento capaz de protagonizar uma reforma política democrática, que certamente influenciará outras, ampliando os espaços de luta estratégica para as forças progressistas. Portanto, o movimento nacional que toma corpo não é contra o autoritarismo, nem contra Dilma, pois, de fato, sua administração trouxe mudanças econômicas e sociais. Estas, entretanto, não foram acompanhadas de forma suficiente por transformações institucionais necessárias dos poderes do Estado, dos partidos e dos meios de comunicação.

Este, assim, é um momento crucial e delicado para a Nação. Parafraseando o jornalista Altamiro Borges, o Brasil pode estar no limiar de uma nova fase de seu desenvolvimento político, de aprofundamento e ampliação da democracia, de elevação dos níveis de participação popular na vida política e na governança do país. Por outro lado, pode também sofrer grave retrocesso se a reforma política for pautada pelo pensamento conservador e antidemocrático.

Preocupadas com o direcionamento político que pode ser dado a todo este processo de transição, as centrais sindicais marcaram para o dia 11 de julho uma greve geral em todo o País, numa onda de mobilização batizada como “Dia de Luta”. Nessa data, os movimentos sociais irão cobrar do Governo a execução da pauta trabalhista, entregue em março deste ano. Veja os temas da pauta: Fim do fator previdenciário; 10% do PIB para a Saúde; 10% do PIB para a Educação; Redução da Jornada de Trabalho para 40h semanais, sem redução de salários; Valorização das Aposentadorias; Transporte público e de qualidade; Reforma Agrária; Financiamento público para as campanhas eleitorais; marco Regulatório para as comunicações; mudanças nos Leilões de Petróleo; Rechaço ao PL 4330, sobre terceirização.