A proposta de Acordo Coletivo de Trabalho apresentada pela Petrobras está sendo debatida e posta em votação nas assembleias, cujo calendário se iniciou em 15 de novembro. O resultado, ainda parcial, das assembleias aponta a rejeição.
Para a categoria, as cláusulas apresentadas pela empresa são insuficientes e continuam a desconsiderar importantes reivindicações dos trabalhadores, como AMS, Plano de Cargos, Carreira e Salários, SMS e regramento da PLR, entre outros pontos do Acordo Coletivo.
“A proposta contém alguns avanços, mas não contempla reivindicações importantes da categoria”, afirmou o coordenador geral do SINDIPETRO-RN, Márcio Dias. Além da questão econômica, que prevê reajuste de 10,71% apenas sobre a Remuneração Mínima por Nível e Regime (RMNR), o que não corresponde a um ganho real, o impasse continua relacionado à segurança, meio ambiente e saúde.
A categoria defende melhores condições de segurança de trabalho aos efetivos e funcionários próprios e terceirizados. Desde 1995, 310 trabalhadores tiveram acidentes fatais na Petrobras e subsidiárias. Só neste ano, 16 petroleiros morreram. Desses, 14 eram terceirizados. Durante as negociações, a estatal comprometeu-se a diagnosticar o sistema de segurança, mas ainda não propôs medidas imediatas.
“A empresa tem condições de avançar na construção de uma proposta que atenda a categoria, por isso estamos mobilizando os trabalhadores de todas as áreas em defesa da conquista de um Acordo de Trabalho Coletivo digno”, avalia Márcio Dias, ao lembrar que o calendário de assembleias segue até a próxima sexta-feira, 18 de novembro.
Também no setor privado, os trabalhadores estão convocados para agenda de assembleias, a serem realizadas no período de 16 a 30/11/2011, nas sedes administrativas das empresas, campos de petróleo, locais de embarque, plataformas marítimas, unidades industriais e nas sondas, com o objetivo de apreciar e deliberar sobre o indicativo do Sindicato de aprovação do Estado de Greve, autorização para o Sindipetro/RN e a FUP negociar e tomar as medidas administrativas, jurídicas, bem como deflagrar greve, instaurar dissídio coletivo, ou de qualquer outra natureza, necessárias à defesa dos interesses dos trabalhadores, e discutir outros assuntos de interesse dos trabalhadores.
Quadro parcial de Assembleias no RN
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Local |
Rejeição da Proposta |
Aprovação da Proposta |
Abstenções |
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Porto de Guamaré (terça-feira) |
19 |
5 |
1 |
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Base de Operação do Estreito B |
25 |
3 |
1 |
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Base S-07/Alto do Rodrigues |
45 |
2 |
0 |
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Sonda 106 |
8 |
0 |
0 |
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Sonda 86 |
6 |
0 |
2 |
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Upanema |
6 |
0 |
1 |
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Pólo de Guamaré (quarta-feira) |
22 |
33 |
3 |
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Embarque Pólo ( terça-feira) |
10 |
0 |
6 |
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Riacho da Forquilha |
14 |
1 |
0 |
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Lorena |
5 |
1 |
0 |
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Canto do Amaro |
38 |
16 |
11 |
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Sede Natal |
45 |
118 |
2 |
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Base 34 |
46 |
37 |
2 |
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Embarque Pólo (quinta-feira) |
15 |
4 |
4 |
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Embarque Mar (quinta-feira) |
18 |
0 |
1 |
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Sonda 95 |
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Macau (CNB) |
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Fazenda Pocinhos |
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Total |
322 |
220 |
34 |
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Transpetro Mossoró |
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Transpetro Natal |
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Transpetro Macaíba |
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Total |
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Quadro parcial de Assembleias no País
Assembleias que estão ocorrendo nas demais bases da FUP no país estão rejeitando a proposta, apontando para novas mobilizações e continuidade das negociações. Já foram realizadas assembléias na Bahia, no Amazonas, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro e na Refinaria do Planalto (Replan), em Paulínia (SP).
Na Bahia, as assembléias foram todas realizadas nesta quarta-feira, quando os petroleiros rejeitaram a última contraproposta apresentada pela Petrobras e subsidiárias e decretaram greve a partir do dia 16 de novembro.
Além da Bahia, outros sindicatos iniciaram a greve. O Litoral Paulista deflagrou greve por tempo indeterminado a partir das 7h da quarta-feira (16). Na RBPC, 100% do turno aderiu ao movimento e cerca de 70% dos trabalhadores do Administrativo também integram a mobilização. Na Transpetro Alemoa, a adesão foi de 100%, incluindo os petroleiros terceirizados. Na Tebar, em São Sebastião, a adesão foi de 100% do turno e 80% do administrativo. Em Caraguatatuba, cerca de 90% dos trabalhadores integram a greve da UTGCA. Os petroleiros do SINDIPETRO-AL/SE também estão em greve por tempo indeterminado.
Lei de Greve
Na última sexta-feira (11), FUP e Petrobras foram ao Ministério Público do Trabalho para discutir procedimentos em caso de uma paralisação. O pedido de mediação foi feito pela entidade sindical, alegando que a Lei 7.783/89, a Lei de Greve, estabelece obrigações tanto de empresa como de sindicatos quanto à produção e ao atendimento da população. “A proposta da federação, construída de acordo com números da ANP (Agência Nacional do Petróleo), é de manter 100% do efetivo operacional, com as trocas normais de turnos, e reduzir a produção de gás natural, óleo bruto e derivado a 50%, além de paralisar totalmente plantas de óleo lubrificante, derivados para a petroquímica e outras atividades não essenciais segundo a lei de greve”, adiantou, em artigo, o assessor jurídico da FUP, Normando Rodrigues.
“Ficou da reunião o compromisso do MPT em acompanhar a greve, sobretudo para impedir atos antissindicais, como a substituição dos grevistas por equipes de contingência”, acrescentou o assessor.