O balanço final da Campanha Reivindicatória 2010/2011, que buscou estabelecer um Termo Aditivo para renovar as cláusulas econômicas do Acordo Coletivo de Trabalho em vigor, aponta para resultados finais que não podem ser considerados ruins, sobretudo, se comparados aos obtidos por outras categorias profissionais que tiveram suas datas-base neste mesmo período. O reajuste de 9,36% na RMNR, segundo a FUP, representa um ganho salarial real entre 3,6% e 4,7%. Estes índices, por exemplo, superam aquele obtido, recentemente, pelos bancários, que, após uma greve de 15 dias, conquistaram 3,1% de ganho real.

No entanto, se o aumento obtido pela categoria petroleira não pode ser considerado ruim, também está muito longe de ser festejado. Isto, porque, nas bases, pelo menos na categoria petroleira norte-rio-grandense, foi generalizada a percepção de que poderíamos ter alcançado resultados melhores, pois a conjuntura nos era favorável, tanto no aspecto político quanto econômico, e os trabalhadores estavam nitidamente dispostos a empregar formas mais elevadas de luta, aumentando a pressão sobre a direção da Petrobrás. No mesmo, período, os metalúrgicos do ABC conquistaram o maior aumento salarial real da história da categoria, com 6,26%, mais reposição da inflação de 4,29%, totalizando 10,81%.

Condução – É certo que o movimento sindical petroleiro encontra-se dividido desde a saída de alguns sindicatos da FUP e da criação da FNP. Mas, isso, não é a causa principal dos erros de condução que têm afetado os resultados de nossas últimas campanhas. A inexistência de um calendário unificado de mobilizações e de uma mesa-única de negociação sempre atrapalha. Afinal, a categoria petroleira é uma só, e a sua força reside, principalmente, em sua capacidade de unidade de ação. 

No entanto, quando as bases se mostram mais ousadas – ou mais ponderadas – que as direções; ou quando estas negligenciam o seu papel no movimento, parecendo querer retardar – ou instrumentalizar – o desenvolvimento das lutas, alguma coisa está errada e precisa ser revista.

Não é possível que o Rio Grande do Norte continue sendo o Estado proporcionalmente mais mobilizado, mais disposto a empregar formas de luta avançadas e, na “hora H”, a categoria tenha sempre que aprovar algum tipo de recuo, porque as direções dos demais sindicatos avaliam que suas bases estão desmobilizadas ou sem ímpeto de luta. Isolados, sabemos que não temos força suficiente para determinar os resultados das campanhas nacionais. Porém, estamos convencidos de que se inicia uma nova fase, em que a condução do movimento precisa e será, ampla e urgentemente, repensada.