Na última sexta-feira, 13, trabalhadores da Petrobrás realizaram paralisações, com assembléias e atos de protesto, em todo o Estado. Os eventos culminaram uma semana de mobilização, que registrou elevada adesão, demonstrando que os petroleiros norte-riograndenses estão unidos e dispostos a empregar formas de luta mais avançadas, a fim de recuperar o poder de compra dos salários. A campanha tem por objetivo rever as cláusulas econômicas do Acordo Coletivo de Trabalho, e os trabalhadores estão indignados com as atitudes que vêm sendo tomadas pela direção da Companhia.
Depois de segurar as negociações por quase um mês, a Petrobrás decidiu sentar para conversar. Mas, na primeira rodada, a Empresa não apresentou qualquer contraproposta, e ainda pior: limitou-se a confirmar que concedera uma “gratificação extraordinária” de 60% nos salários de julho, aos gerentes, consultores, coordenadores e supervisores. A atitude revoltou aos trabalhadores, principalmente, em razão da justificativa apresentada pela Companhia: a de que estes profissionais estariam sendo assediados por outras empresas, por conta dos baixos salários, como se os demais trabalhadores também não fossem.
A indignação com as atitudes da Petrobrás levou o movimento a intensificar a pressão, concentrando as mobilizações no período de 10 a 13 de agosto, com a realização de atrasos de embarque, atos e paralisações. Acusando o golpe, a Empresa chamou os trabalhadores para negociar e apresentou uma contraproposta no dia 11, apostando na divisão do movimento e no esvaziamento das mobilizações. As direções sindicais, contudo, rechaçaram a proposição apresentada de imediato, mantendo o calendário definido anteriormente.
Na contraproposta apresentada, a Petrobrás compromete-se com o reajuste das tabelas salariais com base no IPCA acumulado no período de setembro de 2009 a agosto de 2010; e com um reajuste na tabela de Remuneração Mínima por Nível e Regime – RMNR de 2% além do IPCA acumulado no período. Além disso, a Empresa propõe uma “gratificação contingente”, sem compensação e não incorporada aos salários, no valor correspondente a 80% da remuneração normal. Nas assembléias realizadas após a apresentação da contraproposta, os trabalhadores a rejeitaram, colocando o aumento real de salários como reivindicação central.