Nos quatro primeiros meses de 2026, a produção média diária de petróleo e gás no Rio Grande do Norte caiu 16,36% em comparação com a registrada no mesmo período do ano passado. Em termos absolutos, a retração correspondeu a uma redução média de 6.470 barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Não por acaso, foi justamente em 2026 que foram registradas as duas menores médias mensais de produção dos últimos 40 anos: 32.490 boe/d em fevereiro e 33.159 boe/d em abril.

Os dados constam do Boletim Mensal da Produção de Óleo e Gás, divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e refletem o prolongamento do processo de declínio produtivo acentuado desde outubro de 2025, quando a Agência interditou 109 instalações operadas pela Brava Energia na Bacia Potiguar.

Interdição
Segundo relatório emitido pela Superintendência de Segurança Operacional e Meio Ambiente (SSO) da ANP, “o operador não apresentou, para diversas instalações, evidências de atendimento às condições mínimas de segurança com relação aos sistemas de combate a incêndio, plano de resposta a emergências, tanques e sistemas de descarga, válvulas de segurança, estudos de riscos, contenção primária, integridade mecânica, projetos, entre outros”. O documento também registra “a falta ou quantidade insuficiente de detectores de chama, gás natural e H₂S, além de problemas na gestão de mudanças e no gerenciamento de elementos críticos”.
Na ocasião da interdição, a ANP destacou ainda a reincidência das irregularidades. De acordo com os auditores, “embora o operador (Brava Energia) tenha sido notificado a realizar o autodiagnóstico em novembro de 2023, durante a presente auditoria, finda em 10 de outubro de 2025, não foi apresentada evidência de atendimento às recomendações, mesmo após dois anos do recebimento da notificação”.
Versão da empresa
Em comunicado ao mercado divulgado logo após a interdição, a Brava Energia afirmou estar mobilizada para “implementar todas as adequações solicitadas pela ANP” e previu a conclusão dos trabalhos até o quarto trimestre de 2025. Na ocasião, a companhia estimou um impacto de 3.500 barris de óleo equivalente por dia (boe/d) sobre a produção, volume que correspondia a aproximadamente 8,95% da produção estadual.
Entretanto, os números observados ao final do primeiro quadrimestre de 2026 indicam que as adequações exigidas pela ANP ainda não foram integralmente implementadas. Os dados também sugerem que as estimativas inicialmente apresentadas pela empresa para os efeitos da interdição sobre a produção potiguar ficaram muito aquém do impacto efetivamente verificado.