No último fim de semana, a pista do CAIC, em Lagoa Nova, foi palco de uma daquelas histórias que dispensam adjetivos exagerados, porque a realidade já é grandiosa o suficiente. O petroleiro aposentado Rosemar Medeiros, aos 74 anos, não apenas desafiou seus próprios limites como conquistou o 1º lugar na categoria 70+ na Ultramaratona Internacional da Cidade do Natal, reafirmando que o tempo pode até passar, mas não impõe barreiras a quem escolhe seguir em movimento.

Participando da modalidade “Natal 24h”, Rosemar encarou uma prova que exige não apenas preparo físico, mas uma força mental que beira o extraordinário. Durante as vinte e quatro horas ininterruptas, ele percorreu a pista do CAIC sob sol, chuva e o desgaste acumulado, completando 306 voltas, o equivalente a impressionantes 122,4 quilômetros.

A competição, realizada nos dias 1º e 2 de maio de 2026, reuniu atletas de diversas partes do país e incluiu provas de 6h, 12h, 24h, 48h, além de distâncias como 50 km e 100 km. Organizada dentro das normas da CBAt e da federação estadual, a ultramaratona é reconhecida pelo alto nível de exigência, onde cada passo é um teste de superação.

Mas, no caso de Rosemar, não se trata apenas de resistência física. Trata-se de constância. De disciplina. De uma relação quase filosófica com o tempo e com o próprio corpo. Enquanto muitos desaceleram, ele insiste e prova que envelhecer pode ser, também, um ato de potência.

Incentivo

Por trás dessa trajetória, há também o incentivo coletivo. O Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte (SINDIPETRO-RN) tem um importante papel ao patrocinar a participação do atleta, reafirmando seu compromisso com a valorização do esporte em todas as fases da vida.

O apoio do sindicato vai além de uma modalidade específica. Ele se estende como política de incentivo à saúde, ao bem-estar e à integração social dos trabalhadores, aposentados e jovens que estão iniciando, estimulando práticas esportivas diversas como futebol, taekwondo, judô, beach tennis e corrida, reforçando a ideia de que o esporte é um direito, e não um privilégio.

A presença de Rosemar na ultramaratona não foi apenas simbólica. Foi vitoriosa, concreta, medida em quilômetros, suor, determinação — e em um lugar mais alto do pódio. Um lembrete silencioso de que não existe linha de chegada para quem decide continuar.