O Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte – SINDIPETRO-RN promoverá, no próximo sábado, 30, o 41º Congresso Estadual da categoria (CEPETRO-RN). O evento será realizado no Hotel VillaOeste, em Mossoró, e deverá reunir cerca de uma centena de delegados e delegadas, representantes de trabalhadores e trabalhadoras da ativa vinculados a empresas dos setores público e privado, além de aposentados e aposentadas.
A conjuntura em que o congresso acontece é marcada por dois acontecimentos que poderão ter grande impacto no futuro da categoria e da sociedade norte-rio-grandense: a realização do 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que incluirá 41 blocos exploratórios localizados na Bacia Potiguar, e o lançamento de uma oferta pública de ações (OPA) pela Ecopetrol, destinada à compra de 25% do total de ações da Brava, empresa que detém o controle da maior parte da produção potiguar.

Os dois movimentos ocorrem em meio a um período de profundas transformações no setor petrolífero brasileiro e internacional, marcado pela disputa geopolítica em torno da energia e pela retomada do debate acerca da soberania energética nacional. Ao mesmo tempo em que o Rio Grande do Norte enfrenta uma forte redução de investimentos e uma queda histórica na produção petrolífera terrestre, surgem novas perspectivas relacionadas à ampliação das atividades exploratórias, à Margem Equatorial e à possibilidade de reposicionamento estratégico da Petrobras na região.
Oferta Permanente
No caso da Oferta Permanente de Concessão da ANP, cuja sessão pública de apresentação de ofertas está marcada para 7 de outubro, o fato de a Bacia Potiguar reunir 41 blocos disponíveis para a rodada de licitação reforça o entendimento de que a região continua despertando interesse geológico e econômico. Para setores da academia, da indústria e do movimento sindical, o potencial exploratório da bacia permanece significativo, tanto em áreas terrestres quanto offshore, especialmente diante das perspectivas abertas pelas atividades na Margem Equatorial brasileira.
O tema, inclusive, ocupa posição central no Caderno de Teses do 41º CEPETRO-RN, documento que orientará os debates políticos do congresso. Nele, a categoria defende a revitalização da Bacia Potiguar, a ampliação dos investimentos públicos e privados, a retomada do protagonismo da Petrobras e a construção de uma transição energética considerada “justa e planejada”.
Entre as propostas apresentadas pela direção sindical e pelos grupos que participam do congresso estão a recuperação da infraestrutura atualmente subutilizada, a modernização de unidades operacionais, a ampliação da capacidade da Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC), o fortalecimento da cadeia do gás natural e dos biocombustíveis, além da defesa de investimentos em novas fronteiras exploratórias marítimas.
Petróleo e desenvolvimento regional
Outro tema que deverá mobilizar os debates é o futuro da Brava Energia, empresa surgida a partir da fusão entre 3R Petroleum e Enauta e atualmente responsável pela maior parte da produção terrestre potiguar. A oferta pública de ações lançada pela colombiana Ecopetrol reacendeu discussões sobre a capacidade financeira e operacional das empresas privadas que assumiram ativos anteriormente pertencentes à Petrobras, especialmente em um cenário marcado pela retração da produção e pela subutilização de estruturas estratégicas.
Nos últimos anos, trabalhadores e setores da classe política têm manifestado preocupação com os impactos econômicos decorrentes da saída da Petrobras da operação direta de campos maduros no Rio Grande do Norte. A redução de investimentos em manutenção, revitalização e perfuração de novos poços, associada à diminuição da arrecadação de royalties e ao fechamento de postos de trabalho, passou a alimentar um amplo debate sobre a necessidade de reconstrução de uma política de desenvolvimento regional vinculada à atividade petrolífera.
Nesse contexto, a possível transferência do controle acionário da Brava para a Ecopetrol é acompanhada com atenção por trabalhadores e agentes econômicos locais. Parte do setor avalia que a movimentação pode representar a chegada de maior capacidade de investimento e de uma empresa com atuação consolidada na América Latina, potencialmente interessada em ampliar atividades exploratórias e produtivas na Bacia Potiguar. Ao mesmo tempo, persistem preocupações relacionadas às condições de trabalho, à política de terceirização, à preservação de empregos e ao compromisso com investimentos de longo prazo.
Outras questões
Além das questões diretamente ligadas ao petróleo, o congresso também discutirá os impactos das transformações tecnológicas no mundo do trabalho, o avanço da inteligência artificial, a precarização das relações trabalhistas e os desafios enfrentados pelo movimento sindical em um cenário de crescente fragmentação das categorias profissionais. O documento-base do evento associa essas mudanças às transformações geopolíticas globais e à reorganização das cadeias energéticas internacionais.
Para a direção do SINDIPETRO-RN, o momento exige não apenas resistência diante das perdas acumuladas nos últimos anos, mas também capacidade de formulação política e mobilização social em defesa de um novo ciclo de desenvolvimento para o Rio Grande do Norte. A expectativa é de que o 41º CEPETRO-RN aprove resoluções voltadas à defesa da soberania energética, da geração de empregos, da valorização da Petrobras e da construção de uma agenda de investimentos capaz de recolocar a Bacia Potiguar em posição de destaque no cenário energético nacional.