A Diretoria Colegiada do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Rio Grande do Norte (SINDIPETRO-RN), entidade que historicamente se posiciona em defesa da soberania nacional, da democracia e do desenvolvimento com justiça social, vem a público manifestar seu mais veemente repúdio às recentes declarações do governo dos Estados Unidos, feitas por seu atual presidente, Donald Trump, que ameaça impor unilateralmente tarifas de até 50% sobre as exportações brasileiras para aquele país.
O argumento de que essa medida visa forçar uma relação comercial mais equilibrada, e de que seria justificada por supostos “déficits insustentáveis” dos EUA, é uma verdadeira aberração. Dados oficiais do governo brasileiro (e até mesmo de instituições ligadas ao próprio governo estadunidense) mostram que, nas transações bilaterais, é o Brasil quem vem acumulando déficits comerciais sucessivos, há nada menos que 16 anos, desde 2009.
Para tornar ainda mais escandalosa essa alegação falsa, só no primeiro semestre de 2025 o superávit comercial dos EUA em relação ao Brasil chegou a US$ 1,7 bilhão. Segundo a insuspeita Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), isso representa um aumento de cerca de 500% em comparação ao mesmo período de 2024, deixando claro para qual lado a balança realmente pesa.
A mensagem publicada por Trump, no entanto, vai além de uma mentira descarada. Em tom desrespeitoso e muitas vezes arrogante, assume contornos de chantagem: acena com a possibilidade de suspender as tarifas caso empresas brasileiras decidam “construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos”, e chega ao cúmulo de se intrometer em assuntos internos do Brasil, manifestando-se publicamente em favor do ex-presidente Bolsonaro e de sua família.
Nesse ponto, Trump deixa claras suas reais intenções ao chamar Bolsonaro de “líder altamente respeitado em todo o mundo” e afirmar que a forma como ele vem sendo tratado no Brasil é uma “vergonha internacional”. Para ele, o julgamento por tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito “não deveria estar ocorrendo” e seria uma “caça às bruxas que deveria acabar IMEDIATAMENTE”.
Por fim, ainda tenta justificar as sobretaxas com acusações absurdas sobre supostos “ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres” e “violações fundamentais da liberdade de expressão… dos norte-americanos”.
A carta de Trump, enviada ao presidente Lula logo após a cúpula dos Brics no Rio de Janeiro, também expõe o crescente isolamento do imperialismo estadunidense em um mundo cada vez mais multipolar. A ascensão de um bloco de países emergentes, que buscam relações baseadas no respeito mútuo e na reciprocidade, ameaça o domínio geopolítico global dos EUA.
Como se diz aqui no Nordeste, o que vemos agora é o “estrebuchar” de um império corroído por uma dívida colossal (US$ 37 trilhões) e sem capacidade de gerar valor suficiente para cobrir seus próprios déficits. A história mostra que impérios decadentes tendem a se tornar mais agressivos e belicosos. Por isso, é fundamental que os trabalhadores e o povo brasileiro se unam para enfrentar aqueles que se julgam “donos do mundo”, assim como aos seus lacaios e protegidos em nossas terras.
Natal (RN), 11 de julho de 2025
Diretoria Colegiada do SINDIPETRO-RN