Com lucro líquido de US$ 10,7 bilhões, a Petrobrás encerrou o primeiro semestre de 2025 no pódio das petroleiras mais lucrativas do mundo. O desempenho, superado apenas pela Saudi Aramco e pela ExxonMobil, representa um crescimento de 140% em relação ao mesmo período de 2024, quando registrou US$ 4,5 bilhões. A petroleira brasileira deixou para trás concorrentes de peso, como Shell e TotalEnergies, alcançando seu melhor resultado desde 2020, mesmo em um cenário de retração de 14,7% no preço médio do barril do Brent.
Em artigo publicado na página do SINDIPETRO-MG, o diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), Mahatma Ramos, avaliou que o desempenho confirma a “capacidade de geração de valor mesmo em um cenário de incertezas e rebaixamento do preço do petróleo no mercado global”. Segundo ele, o resultado foi impulsionado por fatores operacionais, como a “expansão de 3,7% da capacidade produtiva de óleo e gás e a manutenção de um elevado fator de utilização do parque de refino da estatal”, além de elementos comerciais.
Nesse campo, Ramos destacou a “elevação de 1,9% do volume de vendas de derivados no mercado interno e a expansão de 2,5% nos preços básicos”, aliados a efeitos não recorrentes – como variações cambiais e monetárias líquidas – que também ajudaram a reduzir o impacto do aumento das despesas e a manter um saldo financeiro positivo.
Lucros, dividendos e investimentos
Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável da Presidência da República (CDESS), Mahatma Ramos aponta que “o grande desafio estratégico da Petrobras segue na distribuição equitativa do valor gerado entre todos os seus grupos de interesse – Estado, agentes privados e o interesse público”. Ao comparar a evolução dos lucros, dividendos e investimentos entre o 1º trimestre de 2018 e o 2º trimestre de 2025, ele conclui que “a Petrobras foi transformada em uma máquina de remuneração de acionistas”.
Nesse período, a companhia distribuiu R$ 507,3 bilhões em dividendos, montante superior ao valor de mercado atual da empresa, estimado em R$ 414 bilhões, e equivalente a 85,6% de todo o lucro acumulado (R$ 592,5 bilhões). Em contrapartida, os investimentos somaram R$ 422,7 bilhões, apenas 71,4% da riqueza gerada e 16,7% abaixo do volume destinado a dividendos. Para Ramos, reverter essa lógica de megadividendos combinados a cortes sistemáticos em investimentos é essencial para o futuro da Petrobras.
Para onde ir?
Na conclusão de seu artigo, o pesquisador avalia que a trajetória recente da empresa “ilustra a resiliência operacional e a capacidade de geração de caixa da estatal, mas também expõe a disputa entre os interesses imediatos de seus acionistas e as necessidades de longo prazo do setor energético nacional”.
Segundo Ramos, o plano de negócios da empresa deve priorizar a segurança energética, com novos investimentos exploratórios, ampliação da capacidade de refino e expansão nos segmentos petroquímico, de gás e de energias de baixo carbono. Nesse último ponto, os aportes recuaram 39,5% no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024.
A decisão de retomar a atuação no mercado de distribuição de GLP, anunciada recentemente, também foi comentada pelo pesquisador. Para ele, trata-se de “um esforço essencial para recuperar o caráter integrado da companhia e transformá-la em instrumento de política pública”. No entanto, ressalta que é necessário “ir além e avançar na reestatização de ativos estratégicos vendidos em gestões anteriores”.
Veja a íntegra do artigo publicado em 18/08/25 em: https://sindipetro.org/2025/08/18/petrobras-fecha-primeiro-semestre-com-forte-lucro-mesmo-em-cenario-de-queda-dos-precos-internacionais/