A Câmara Municipal de Guamaré sediou, nesta quinta-feira, 6 de novembro, uma audiência pública que reuniu autoridades, lideranças políticas e representantes da categoria petroleira para discutir o tema “Desenvolvimento Econômico e Energético, com ênfase na produção de petróleo para o Estado do Rio Grande do Norte”.
O evento contou com a presença de uma comitiva do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do RN (SINDIPETRO-RN), vinda de outras cidades, e teve como foco debater caminhos para a retomada dos investimentos em exploração e produção de petróleo no estado — especialmente nas regiões da Margem Equatorial e da Bacia Potiguar.

Localizado no extremo leste da Bacia Potiguar, o município de Guamaré possui papel estratégico na cadeia produtiva do setor energético, concentrando atividades de produção, processamento e refino de petróleo e gás natural. No entanto, como outros municípios produtores do estado, a cidade tem sofrido com a falta de investimentos em novas frentes exploratórias nos últimos anos.
A iniciativa da Câmara surge como continuidade da audiência promovida em 14 de setembro pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, e busca, segundo a presidente da audiência, vereadora Eliane Guedes de Melo Carmo, articular apoio político e institucional para impulsionar o desenvolvimento econômico e energético potiguar.
Durante sua fala, Eliane Guedes agradeceu a presença de todos os participantes da audiência pública — incluindo autoridades locais, vereadores e representantes de empresas — e destacou a importância da união de esforços para gerar emprego, renda e dignidade para o povo de Guamaré e de toda a região.
Ela ressaltou que o encontro demonstra o comprometimento do município e da Câmara Municipal com o desenvolvimento do Rio Grande do Norte e com a melhoria das condições de vida da população, reforçando o papel de Guamaré como polo estratégico para o crescimento do estado.

Exploração offshore e o papel da Refinaria Clara Camarão
O primeiro eixo de discussão abordou o potencial da Margem Equatorial, área de exploração em águas profundas e ultraprofundas entre Guamaré e Tibau. Estudos preliminares apontam que a produção nessa região pode acrescentar cerca de 60 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d) à produção estadual. Parte desse volume poderá ser direcionada à Refinaria Clara Camarão, fortalecendo o papel de Guamaré como centro estratégico da indústria do petróleo potiguar.
O coordenador-geral do SINDIPETRO-RN, Marcos Brasil, defendeu a ampliação da produção de petróleo no Rio Grande do Norte como parte de uma necessidade nacional de aumentar a extração de óleo e gerar riqueza para o estado. Ele destacou o potencial da Margem Equatorial, especialmente nas áreas marítimas próximas a Guamaré, que podem produzir até 60 mil barris por dia, e defendeu a instalação de uma plataforma FPSO para viabilizar essa exploração.

“O Rio Grande do Norte já foi referência nacional na produção de petróleo em terra, e agora precisa atrair investimentos que garantam não apenas a retomada do crescimento, mas também um futuro com mais empregos e desenvolvimento sustentável. Para isso, precisamos do apoio firme desta Casa Legislativa junto ao Governo Federal e à ANP”, afirmou.
O dirigente também ressaltou a importância de uma parceria entre a Petrobras e a refinaria Potiguar (Acelen) para refinar o petróleo localmente, agregando valor à produção, gerando empregos e fortalecendo a economia regional.
Reconhecimento e apoio político
As exposições de Marcos Brasil receberam amplo reconhecimento dos vereadores de Guamaré, que destacaram a relevância das informações apresentadas e o papel estratégico do município na retomada da produção de petróleo no Rio Grande do Norte.
Os parlamentares ressaltaram que o retorno dos investimentos da Petrobras na região pode transformar de forma positiva a realidade econômica e social dos municípios produtores, ampliando a arrecadação, fortalecendo os serviços públicos e abrindo novas oportunidades de emprego e renda para a população local.
Durante as intervenções, vereadores destacaram que a retomada da presença da estatal significaria também o renascimento de cadeias produtivas locais ligadas à indústria do petróleo — como transporte, hotelaria, alimentação e manutenção —, que foram profundamente afetadas após a redução das atividades da empresa no estado.
Novos blocos terrestres e perspectivas onshore
Outro ponto de destaque foi a decisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de incluir 33 blocos exploratórios terrestres da Bacia Potiguar no edital da Oferta Permanente de Concessão (OPC). A inclusão foi resultado direto de um pleito do SINDIPETRO-RN, encaminhado em agosto, e representa um avanço concreto na luta pela revitalização do setor no estado.
Esses blocos estão distribuídos entre 18 municípios, entre eles Apodi, Upanema, Mossoró, Assú, Pendências, Guamaré e Porto do Mangue. Estimativas indicam que, apenas na fase inicial, os investimentos poderão atingir R$ 2 bilhões, podendo chegar a R$ 5 bilhões em cinco anos, conforme o sucesso das perfurações e descobertas.
Uma cruzada pelo desenvolvimento e pela valorização da política
O diretor do sindicato, Márcio Dias, destacou que a audiência faz parte de uma verdadeira cruzada em defesa do desenvolvimento do Rio Grande do Norte, conduzida há meses pela categoria. Ele ressaltou que a luta por investimentos na exploração da Bacia Potiguar e na Margem Equatorial não é apenas técnica, mas também política e cívica, exigindo o engajamento da sociedade e o reconhecimento do papel dos representantes públicos.

“Promover uma audiência como esta é parte de uma caminhada que o sindicato vem fazendo há bastante tempo, com o objetivo de sensibilizar a sociedade civil e, principalmente, os homens e mulheres públicos. São pessoas que merecem respeito e reconhecimento, porque se submetem todos os dias ao julgamento da sociedade, não apenas nas eleições. A democracia precisa valorizar quem decide se colocar a serviço dela”, afirmou Márcio Dias.
O dirigente lembrou que a mobilização já garantiu avanços importantes, como o manifesto aprovado no congresso da categoria e o apoio unânime da Assembleia Legislativa do RN à campanha em defesa de novos investimentos na Margem Equatorial. Ele reforçou, contudo, que a luta precisa continuar:
“Uma audiência pública como esta deve inspirar orgulho, mas também precisa ecoar. É preciso chegar ao Governo do Estado, aos deputados federais, aos senadores, para que o Rio Grande do Norte ganhe força política e consiga atrair as empresas certas — aquelas que não apenas compram ativos, mas investem, geram emprego, aumentam a produção e fazem a roda da economia girar.”
Mobilização continua
A audiência de Guamaré reforçou o compromisso do SINDIPETRO-RN em manter viva a pauta da exploração e produção de petróleo no estado. A entidade segue articulando encontros com parlamentares, gestores públicos e lideranças sociais para fortalecer o movimento e garantir que o Rio Grande do Norte continue sendo protagonista na transição energética e na geração de emprego e renda.
📺 Assista à audiência na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=J_81dkDBeog