A reestatização da BR Distribuidora, da Liquigás e das refinarias voltou ao centro do debate nacional e mobilizou petroleiros e petroleiras em Brasília ao longo desta semana. A intensa agenda de articulações políticas, mobilizações de rua e participação em espaços institucionais culminou na construção do Projeto de Lei 1853/2026, que propõe a reestatização dos setores de distribuição e refino.

O SINDIPETRO-RN teve papel ativo na elaboração da proposta, considerada estratégica para a retomada da soberania energética e do controle público sobre a política de preços dos combustíveis no país.

Durante a semana, dirigentes e militantes da FUP e de seus sindicatos participaram de uma série de atividades, como audiência pública na Câmara dos Deputados que debateu os impactos da crise internacional sobre os preços dos combustíveis, além do lançamento da Frente Parlamentar Mista pela reestatização das distribuidoras e refinarias.

A mobilização também esteve presente na Conferência da Classe Trabalhadora (Conclat) e na Marcha Nacional convocada pelas centrais sindicais, que reuniram milhares de trabalhadores em defesa de pautas como a redução da jornada sem corte de salários, o fim da escala 6×1, o fortalecimento das negociações coletivas e a regulamentação do trabalho por aplicativos.

Além das atividades públicas, os dirigentes sindicais percorreram gabinetes de parlamentares ao longo da semana, dialogando sobre a importância da reestatização e buscando apoio à proposta. O objetivo foi reforçar que esses ativos são fundamentais para garantir o abastecimento nacional e proteger a população da volatilidade dos preços internacionais.

Para o coordenador geral do SINDIPETRO-RN, Marcos Brasil, o acúmulo dessas mobilizações reforça a necessidade de uma articulação nacional para reverter as privatizações que desestruturaram o Sistema Petrobrás. Segundo ele, a venda de ativos rompeu a lógica integrada da cadeia de óleo e gás — que ia do poço ao posto —, reduzindo a capacidade do Estado de atuar em favor do interesse público.

Ele também destaca que, em um cenário internacional instável, setores privados tendem a lucrar com as crises, enquanto a população arca com combustíveis mais caros. Diante disso, defende que o caminho não é apenas conter preços, mas retomar o controle público sobre esses ativos estratégicos, devolvendo ao povo brasileiro um patrimônio que deve estar a serviço do país.